Amor entre gerações... #52semanasdegratidão

Ausente aqui do Blog por não conseguir administrar o tempo da forma que desejo, chego hoje aqui para falar de gratidão, incentivada pela proposta da Elaine... (Aqui)
                              
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Sou no momento, parte da geração base de minha família paterna, ou seja, o meu pai Renato e seus dez irmãos - Wilson, Milton, Risoleta, Odilla, Altair, Dirceu, Léa, Alair, Carlos e Carlúcio, já faleceram. Assim meus primos e eu, somos a geração mais velha atualmente. Embora tenha primos das mais diversas faixas etárias, alguns com  80 anos ou mais, mesmo sendo muito mais velhos que eu, somos todos representantes de uma mesma geração familiar. Depois de nós, vieram outras, e mais outras. Formamos um clã numeroso.
Comecei a ter acesso aos arquivos familiares guardados por meu pai e duas de suas irmãs... Fui descobrindo um mundo novo, descobrindo minha essência. Tomando ciência real de quem sou.
Em 2016, minha prima Jussara, sem mesmo ter noção da importancia do seu ato em minha vida, me entregou uma caixa com cartas trocadas entre seus pais ao longo do tempo de namoro e inicio do casamento (1942/1954). São mais de 300 cartas. Essas cartas não estavam em ordem e foi um trabalho muito grande coloca-las numa sequência cronológica. Digitalizei tudo. No momento estou transcrevendo-as para facilitar a leitura de outras pessoas. Já estão completamentes organizadas e arquivadas de maneira que possam ser lidas sem o contato manual, para que não se danifiquem.
A medida que vou transcrevendo, viajo no tempo e tenho um encontro maravilhoso com meus antepassados. Vou me identificando com a maneira de escrever, com os fatos relatados, vou me descobrindo.
E o que isso tudo tem a ver com gratidão? A gratidão por meus amados tios Almir e Léa (cunhado e irmã de meu pai) terem guardado pela vida toda a correspondência trocada por eles, a gratidão por minha prima Jussara ter confiado a mim este trabalho, a gratidão a Deus por me permitir viver experiência tão única e especial. A gratidão destas cartas terem sido só o começo das coisas que foram chegando as minhas mãos e hoje reforçam  minha identidade. A gratidão a Deus por permitir que eu organize, registre e transmita as gerações seguintes a história de nossa família, com provas materiais  de que os nossos laços sempre foram feitos com fitas de amor. A gratidão de sempre ter me sentido tão amada, a gratidão por ter um família para amar.


                                               
#52semanasdegratidão  - Blog da Elaine Gaspareto

Brincadeira de roda?




Estou ouvindo as crianças da escola que fica aqui ao lado brincarem de roda. Fico feliz em saber que estão interagindo sem a necessidade da tecnologia. Vou escutando as letras das músicas que são as mesmas de minha infância e continuo sem entendê-las... 

 “Terezinha de Jesus,
de uma queda foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão
Quanta laranja madura
Quanto limão pelo chão
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração
Terezinha levantou-se
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração
Da laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço.”

Essa tal de “Terezinha de Jesus” era uma mocinha muito esquisita...  Desde cedo não tinha a mínima ligação familiar e era bem deselegante. O pai e o irmão vieram acudi-la e foram dispensados. Preferiu o socorro de um terceiro. Deixou pai e irmão com cara de tacho depois da desfeita que fez. Eu, heim! Se ela recusou ajuda, que ficasse onde caiu.  
Deduzo que o tombo de Terezinha deveu-se a um tropeço no limão ( Essa parte da letra deve ser fala de Terezinha).  A coisa foi muito grave. Teve uma hemorragia no coração. O sangue derramou todo dentro dele... A moça era forte, muito forte. Apesar do tombo e sua gravidade, conseguiu levantar e ainda se desmanchar em amabilidade para uma criatura que até aí só se sabia que era o terceiro e do nada vira noivo.  O pai e o irmão deviam estar tão desesperados com as indelicadezas da moça que logo elevaram o cara a categoria de pretendente  comprometido. Deu a mão? Tem que casar! Assim Terezinha casava e ia tropeçar em outro terreiro rapidinho.
Também presumo que Terezinha era morena. Se não era, o noivo já estava pensando em traição. Chego a esta conclusão por achar que a última estrofe é fala do noivo...  Bom, não conheci nenhum deles, mas esse cara pareceu-me muito estranho ou estava com tanta fome que até limão comia. Da laranja queria um gomo e do limão pedia logo um pedaço. Que tipo de gente pede um pedaço de limão? Era caso de ficar de pé atrás, pois se tratava de alguém muito suspeito...

Minha vontade é de ir à escola onde as crianças estão brincando de roda e perguntar se elas conhecem Terezinha e se entenderam alguma coisa dessa história. No meu caso, mesmo depois desses anos todos, ainda carrego má impressão dela. Será que o título de música não seria “Terezinha? Só Jesus!”.
Alguns estudiosos do cancioneiro popular interpretam a coisa  de maneira completamente diferente. Fazem alusão a Terezinha como se fosse “Santa Terezinha do Menino Jesus”. Dizem que a queda seria moral e o socorro da Santíssima Trindade. O Pai (Deus), do Filho (Jesus) e o Espírito Santo.  Convenhamos que esta fundamentação religiosa até pudesse ter sido pensada, mas de onde saiu esse limão? Onde está a religiosidade em querer um abraço da morena mais bonita, meu Deus?
E agora depois de tanta filosofia barata (de minha parte é claro) começo a tentar entender os motivos da briga do “cravo com a rosa”. Acho melhor que essas crianças parem de brincar de roda e passem a pular amarelinha. Minha cabeça já está viajando demais.


A plataforma em que meu blog está hospedado acaba de me lembrar que ele existe (para que eu renove o domínio). Foi bom, pois dei uma paradinha no que estava fazendo e vim até aqui. Faz-me muito bem. Saio um pouco dos trabalhos com um projeto ambicioso em que me meti (se tudo der certo um dia eu conto) e me ajuda a "reencontrar" tanta gente deste mundo virtual, que deu suporte para a que eu fosse à busca de muita coisa que representa o meu jeito Guidinha de viver. O problema é que quando a gente entra na blogosfera, começa a querer ler tudo que os outros estão publicando. Bom, o trabalho com o tal projeto só vai ser retomado na próxima semana. Quero viajar por aqui... 
 


Meu mundo mingau...



Estava agora preparando mingau e começo a rir sozinha... O Dia das Mães terminando e eu cuidando de quem? De mim... Sou mãe e filha dedicadíssima, mas não deixo de fazer as coisas que me dão prazer. Inclusive sinto prazer em preparar o mingau que vou consumir sem  esquecer de levar para minha mãe também que mora logo ali.
Sinto-me bem esquisita com relação à maioria das pessoas. Não tenho nada de radicalismos em minha alimentação, porém ela é muito peculiar. Não me dou bem com chocolate, coisas muito açucaradas ou puxadas no sal. Geralmente não coloco açúcar em nada liquido que vá consumir. Vai tudo na base do natural. As pessoas pensam que sou adepta a alguma dessas formas de alimentação que se vê por aí. Nada disso. Apenas questão de paladar mesmo.
Daí a questão do mingau. Eu como mingau, ué!
Mingau de aveia (só com leite e canela ou leite canela, maçã ralada e canela). No caso do mingau de aveia, tenho meu jeito especial pra preparar. Primeiro cozinho a aveia na água. Depois que já está cozida, acrescento o leite. Deste jeito não queima ou fica agarrando no fundo da panela; (Usei ponto e vírgula! Que coisa estranha... Estava com saudade de usar ponto e vírgula.)
Mingau de amido de milho (leite, amido, raspas de limão ou laranja e canela);
Mingau de Sagu (com leite e canela ou leite, leite de coco e canela)...
Posso variar com milho, tapioca, mistura láctea, etc. Se parar pra pensar quase que tem receita diferente o mês todo. Sinto falta de mingau quando viajo, acreditem. Mas, tem um “mas”... Mingau só fazendo friozinho. E o detalhe de ter que ser na caneca? Mingau no prato não rola. Preparo as canecas com o mingau, cubro com filme plástico e coloco na geladeira. Na hora de consumir é só levar ao micro-ondas.
Quem chega aqui e ofereço um mingau antes de dormir ou pela manhã, me olha esquisito e pergunta “Mingau?” Gente, tem outras coisas! Têm pães, frutas, leite, café, suco, queijo, açúcar, adoçante... O resto da família é normal!
O que é que ando fazendo para estar postando tão pouco? Acho que curtindo minha vida mingau... 

Tem horas que ainda sou essa aí...

  

Malas leves...

Planejei estar muito presente aqui... Aí percebo que estar na internet sem internet não dá... Digitar com tendinite não dá... Viajar nos mundos real e virtual ao mesmo tempo não dá... Conclusão, dois novos meses de ausência...

E por falar em viajar...
Já houve tempo em que eu dizia que viajar para qualquer lugar é bom. Hoje quando falo isso é mais da boca para fora. O tempo foi me fazendo muito seletiva. Não é luxo que me seduz, não é lugar famoso e naturalmente turístico ou ainda aquele tipo de turismo rotulado por alguma característica específica. O que quero mesmo é poder ir e vir em qualquer dia, hora e lugar. Sem pressa.

Malas não podem significar impedimento. Malas tem que libertar. Não tem que ser carregadas, elas tem que nos levar...
Aconteceu uma situação muito engraçada em nossa viagem mais recente. Quatro casais circulando por várias cidades em um clima divertido e leve. Os outros três casais faziam compras de tudo que viam. Era um tal de comprar bugiganga sem fim. Meu marido e eu não comprávamos nada... A única compra até aí tinha sido um chapéu para ele que procurávamos fazia tempo e vimos um que era exatamente o que queríamos. Os dias foram passando e a coisa se repetindo. A cada saída nossa dos hotéis, a volta era de sacolas e mais sacolas ocupando as mãos dos três casais e nós dois de mãos ocupadas apenas um com a mão do outro. Nós dois riamos muito da situação. Um belo dia um dos homens deste nosso grupo chamou o meu marido para conversar em particular e todo cheio de dedos ofereceu dinheiro para ele, dizendo que poderia emprestar o que estivéssemos precisando. Meu marido estranhou o oferecimento, agradeceu e disse que estava tudo bem, não havia necessidade alguma. O cara achou que não comprávamos nada por falta de dinheiro. Achou que era impossível a uma mulher não voltar para casa após uma viagem longa, com a mala mais leve que quando saiu (mais "leve”, pois shampoos, cremes, repelentes... foram sendo usados). Não sei o que é que houve após as explicações sobre a nossa não necessidade de compras, só sei que no geral elas diminuíram...

A cada ano que passa sinto menos necessidade de tralhas... Antes desta nossa viagem fiz uma arrumação aqui que lotamos o carro duas vezes de doações, fora o que foi doado sem precisarmos ir entregar. Isso me satisfez? Não. Desejo ainda fazer um novo pente fino em casa cômodo, em cada armário e gavetas. Quero ar fluindo, quero vida sem peso, quero a liberdade de não comprar. Liberdade sim, pois consumismo aprisiona.

Ter o que precisamos tem um significado muito diferente de "precisamos ter". Para muitos que não entendem, malas leves são conquistas e na vida podem demorar a acontecer...



A "Cerca Viva" que plantei...

Muito tempo sem postar, muito tempo vivendo um “tantão” de coisas confusas... Vim de um ano daqueles de sacudir a alma. Claro que aconteceram coisas boas de serem vividas, porém algumas foram tão doloridas que não me lembrarei com saudade deste período... Minha avó Guidinha sempre dizia que o preço que se paga por viver, é ir perdendo pessoas que amamos pelo caminho. Venho de uma família muito numerosa por parte dos meus pais e meu marido idem, assim aconteceram muitas despedidas... Muitas sensações de vazio... 
 
É hora de reagir. Sair de mim. Voltar para mim. Reencontrar-me. Por quanto tempo? Não sei. Viver o intervalo. Agradecer a Deus pelo dom da vida.

Minha casa em termos de organização se tornou o reflexo do que vivi. Acumulei tralhas, me desorganizei. Quando não estou bem, a primeira coisa que acontece é começar a cozinhar por cozinhar. Aquela estranha ação mecânica de fazer comida, que considero totalmente diferente de preparar uma refeição. Somos família de refeição. Mesmo que seja feijão, arroz e ovo tem que ter sabor do prazer de fazer. Tem que ter mesa posta, tem que ter partilha. Isso não faltou. Tivemos mesa posta, partilha, mas para falar a verdade tive dificuldades de usar lágrimas como tempero...

E agora? Agora é recomeço. Recomeço aqui também.

Esta minha "Cerca Viva" completa exatamente cinco anos e não deve ser uma simples coincidência o meu retorno aos cuidados com ela. Vou ter que reaprender muita coisa. Perdi a prática de andar por estes caminhos. Queria voltar repaginada, mas seria adiar, adiar, adiar... Então, se quiser saber o que penso hoje, pode ter certeza que volto ao meu começo. Leia no link como foi minha chegada neste chão virtual (  Chegando... ).

Nestes cinco anos muita coisa aconteceu, porém ainda sou Renata, mesmo tendo aumentado infinitamente a minha porção Guidinha. Comemoro cinco anos por aqui, sem bolo, bala ou bola... Esta "Cerca Viva" é esquisita? Pois é, "ela" não pode ser muito diferente do que sou eu...





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