Um noivado em 1º de julho...

O caso que vou contar é verídico. O nome de cada personagem será fictício pelo simples fato de que algumas pessoas envolvidas no episódio não têm um humor muito apurado. Uma não falaria mais comigo, outra me processaria. Haveria ainda a que já não está mais entre nós e viria puxar o meu pé, as demais... Bom, as demais, não sei.

Era 1º de julho de um ano qualquer, numa cidadezinha logo ali.

Lucinha fazia aniversário e nessa data noivaria com Carlos.

A família estava em polvorosa. Avós, pais, irmãos, tios e primos. Não poderia faltar ninguém.

Todo mundo preocupado na base do “Com que roupa eu vou?”

Existia uma loja chamada Casa das Noivas, que funcionava vendendo além de roupas para noivas, como uma pequena boutique para o pessoal da cidadezinha... 

Peço licença aqui para interromper a minha história e citar o velho Mário Quintana, já que falar na cidadezinha, trouxe-me à lembrança esse seu soneto que me encanta:

    Cidadezinha cheia de graça...
      Tão pequenina que até causa dó!
      Com seus burricos a pastar na praça...
      Sua igrejinha de uma torre só...

Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre, sobre as velhas casas,
Fica cismando como é vasto o mundo!...

Eu que de longe venho perdido,
Sem pouso fixo (a triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar!
Cidadezinha... Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar...

Depois da licença poética pedida ao meu Quintana do coração, retorno ao relato:

Na cidade existiam algumas outras boutiques, mas...

Naquela época, eu ainda adolescente, fui a essa loja, acompanhada de minha mãe, com o objetivo de comprar uma roupa especial com a qual compareceria ao evento.

Estávamos no inverno. Na loja, bati o olho em uma linda blusa de lã azul, me encantando de imediato. O vendedor me mostrou as outras cores, explicando que só havia trazido  de São Paulo,uma de cada. Não teve jeito. Era aquela azul Royal que eu queria. Saí da loja, suspirando com a compra.

Voltando ao 1º de julho:

A casa de minha tia Eliane, mãe da noiva, era em um sobrado. A escada de acesso desembocava entre a sala de visitas e a sala de jantar.

Na sala de jantar estava o bolo e muitos convidados reunidos. Os demais se espalhavam pela sala de visitas, sacada da varanda...

Quando cheguei à festa com meus pais e irmãos, adolescente folgada que era, estava “me sentindo” dentro da fatiota novinha.

Há, há, há... Minha linda blusinha era a quarta a chegar à festa. O vendedor, não nos enganou ao afirmar que eram únicas. Sim eram. Únicas na cor. Todas vendidas para a mesma família e com a finalidade de serem usadas na mesma festa.

Como ia contando, fui a quarta com a blusa. A coisa não parou por aí. Chegaram mais três. Cada uma que chegava, já estava sendo esperada pelas demais, na altura da escada, onde só se dizia “agora é...” tentando-se adivinhar a nova cor que surgiria.

Um detalhe importante, essa também era a blusa da Lucinha, a noiva.

Todos estavam muito felizes com o noivado para se deixarem abater pelo caso das blusas, exceto uma das primas, a Lili, que vestida de rosa, passou a festa de cara amarrada e se retirou assim que pode.

Não me lembro das cores de todas especificamente, mas as felizardas eram:
1) Lucinha (a noiva)
2) Ana Maria (prima)
3)Lili (prima – revoltada)
4) Silvinha (prima)
5) Laura (tia)
6) Valéria (prima)
7) Eu (prima)

O dono da loja deve ter se inspirado no arco-íris. Não vendeu mais nenhuma, porque só trouxe sete.

Isso é que é família em sintonia... Se dependesse apenas de nós, o que seria das outras lojas, dos outros modelos de blusas?

Vai convidar esse grupo para uma festa? Coloque no convite que não precisa ir de uniforme...

Essa blusinha aí de cima, não é a do caso em questão, mas escolhi para ilustrar o post, pois foi muito usada por minha avó Guidinha, depois por minha mãe e herdada por mim... está novinha, vejam que ainda tem a etiqueta, apesar dos seus mais de cinquentinha...kkkkkkk.



Prima, eu sei que você lê esse blog e já descobriu qual é a sua personagem na história. A vida deu muitas voltas...  Teria sido a maldição das blusas? Kkkkkkkkkkk  Vamos combinar: agora cada um compra suas roupas em uma cidade diferente, ok?

16 comentários:

JUJU e LELÊ Artesanatos postou o comentário número:

Olá Renata!
Nossa, que loucura... fico imaginando a cara das primas, tias e principalmente da noiva... rsrrss
Bjs
Lelê

Rô... postou o comentário número:

oi Re
bom dia,

que delicia,
estou rindo sozinha na frente do computador...
cidade do interior tem dessas coisas,

beijinhos

katyla silva postou o comentário número:

rsrsrs...eu acho mesmo que é a maldiçao da blusa hehe.coitadinha da noiva!bj renata

Brechó Recicle Online postou o comentário número:

Rsrsrsr... Essa familia é muito unida...E tb muito(...)Hahahh... Adorei a história e a maneira como todas (ou quase todas)tiraram de letra a situação!

Que bom poder estar e volta e ler seus posts, tenho certeza que foi o colírio de amor que vc deixou lá no meu bloguito que me curou de vez...Rs...obrigada amigaaaa

Agora que estou de volta, conte comigo flôr!...Bjs

Favo de Mel postou o comentário número:

Já falei você seria uma ótima escritora. Obrigada pela visita, volta mais vezes. Beijos.

Leninha postou o comentário número:

Obrigada pela dica...já utilizei,seguindo seus sábios conselhos...Uma pergunta?Coloquei um comentário sobre sua postagem engraçadíssima do casamento de sua prima e não apareceu...por que será?
Bjsss,Leninha.

Rosiane Teixeira postou o comentário número:

Deve ter sido muito engraçado isso, ainda bem que estavam todas em familia. hehehe.
Um beijo.
www.rosianeteixeira.blogspot.com

Angela postou o comentário número:

E a prima, chegou a se casar?
Adorei e ri muito, que situaçao!!! Em cidadezinha pequena acontece!
Beijos e um grande final de semana.

Mundo da Lili postou o comentário número:

Adorei o blog, vim fazer uma visitinha e virei seguidora. Espero em breve vc no meu Mundo!
Enorme bjo e sucesso!

maristela postou o comentário número:

Renata, você é uma típica contadora de "causos". Eu acho que é mal (ou bem) de Renatas. A Renatinha do Bau da dadá também é ótima em contar histórias e aparece com cada uma...
Que delícia seu texto. Pelo visto, de onde saiu este "fato", deve ter mais um monte. Conta, conta, conta....
Bjs

Sonia Guzzi postou o comentário número:

Sei bem como é...Ja aconteceu comigo também. Roupa estampada...Na verdade morri de tanto rir.
Gde abraço, em divina amizade.
Sonia Guzzi

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

Relativo ao vendedor, este é famoso "golpe da peça única" que os vendedores costumam usar para vender bastante. Ora, não correr o risco de se deparar com outra vestindo igual à gente, é o desejável, numa festa principalmente. Depois que passa, é gostoso contar o inusitado...
Quanto às "moiçolas", gostaria de representar a Lucinha, caso vc, Guidinha, escrevesse uma peça de teatro para uma apresentação. Em teatro, a idade da atriz não importa. História boa, para ir ao palco de uma escola..."A multiplicação das
blusas" kkkkkk
Foi encantador, "interromper" o texto, para dar passagem ao inigualável Quintana!

Obrigada,pelas visitas e elogios à Cadeirinha.
Beijinhos
Lúcia

Mari Hart postou o comentário número:

hhahahhaha... no final das contas tudo deveria ter virado uma grande piada né?! Bom gosto em família é isso aí! =)

Querida, é um prazer te conhecer, adoro conhecer quem me lê! Ainda bem que vc se manisfestou, assim posso voltar aqui no teu cantinho mais vezes!
Um beijo grande! =)

Nile e Richard postou o comentário número:

Oi Renata.
Adorei o noivado.
Queria estar lá só para ver a cara de quem não tinha blusa igual.
E nem pense que comprar roupas em lugares diferentes,seja diferente,sabe que pode ser o mesmo modelo!?!?!
Quando fizer festa por lã me comvide,vou deixar para comprar roupas iguais,assim ninguém fica de carra emburrada.
Parabéns pela conservação da dita da blusinha.
Também estou te seguindo.
bjtos.Nile.

casa de professora postou o comentário número:

KKKKKKKKKKKKKKKKKK, uma vez tb caí no conto do tecido único...ao sair no sábado me deparei com mais duas amigas com os vestidos tubinhos com estampas florais enormes azuis...rs, bjs! To adorando os causos, conta outro...bjs!

Helena Compagno postou o comentário número:

Renata!!! voltei no seu blog para continuar a ler suas histórias e dar risada. Sentei no sofá decidida a continuar o livro que estava lendo. Mas em determinado ponto ele passou a ficar aborrecido, chato, cansativo e o meu pensamento ansiava por coisas leves e alegres. E tô eu aqui, com esse lep-top esquentando minhas pernas e dando risada atrás da outra. Você é ótima! escreve melhor do que muito cronista tarimbado. O meu cronista favorito é o Mario Prata. Conhece alguma coisa dele? Tenho vários livros dele e o acompanhava quando escrevia no Estadão, depois Época... depois o puto sumiu. Mandei até e-mail para ele e me respondeu dizendo que estava juntando as melhores crônicas para publicar mais um livro (as 100 melhores crônicas). É ótimo. Não tenho mais o meu Pratinha no Estadão, mas tenho a Renatinha...
Beijos

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