O meu eu árvore

Hoje em minhas andanças pela cidade estive em vários lugares e acabei encontrando muita gente querida. Na verdade, essa última semana foi de muitos reencontros. (Alguns dolorosos pela situação que os causou, mas como tudo na vida tem dois lados, mesmo na dor pode-se encontrar a alegria de rever gente especial). 

Algumas pessoas que estão ao nosso lado o tempo todo  parecem ausentes de nossas vidas. Outras mesmo distantes, povoam nossa trajetória com doces lembranças que é impossível não senti-las presentes. Tudo isso me fez recordar de um livro muito especial - "Longe é um lugar que não existe", de Richard Bach . Perdi a conta das vezes que o li e em todas elas pude sentir o prazer de voar. Voar ao encontro de gente distante. Distante por algum tempo ou mesmo para sempre. Voar para dentro de mim. Voar para vida. Recomendo a quem ainda não leu, pois é uma viagem ao encontro do coração.


Comecei a sentir que muitos dos que em algum momento fizeram parte de minha vida e agora estão "longe" fisicamente, adquiriram uma mesma capacidade de sentir a leveza do ser gente. O engraçado é que os rumos foram diversos, cada um embarcou através de diferentes tipos de condução e sem percebermos, o destino foi uma grande viagem em busca de nós mesmos.

Fiquei imensamente feliz por rever amigos realizados. Não realização profissional, financeira, amorosa... Não. Nada disso. Realizados por se descobrirem. Se amarem. Alguns explicam isso como a chegada da grande e derradeira fase do envelhecer. Eu não chamaria isso de envelhecer e sim de renascer! 

O primeiro nascimento é o nascer por fora. O segundo é exatamente o nascer por dentro. Alguns fazem 50, 60, 70, 80... anos e nunca nascem por dentro, mas envelhecem.

Entendo que temos a fase de arbusto, porém a melhor de todas é quando viramos árvore frondosa. Por fora muita casca enrugada, raízes profundas e uma melhor capacidade de buscar o alimento para vida. Mesmo que alguns se aproveitem da nossa sombra, o vento precisa ser muito forte para nos derrubar, além de termos mais condições de suportarmos os períodos de seca.

É difícil passar a vida inteira como andarilho, chegará à minha fase da imobilidade que necessariamente não será sem viagens... Viagens para perto ou longe - que acredito ser um lugar que não existe, quando o ponto de partida e o destino, é um coração. As raízes começam a crescer independente de minha vontade. Quem vai espalhar sementes pela estrada, não serei eu. Os pássaros que encontrarem abrigo em mim se encarregarão da dispersão.

Longe é um lugar que não existe. Sendo assim não pode ir longe minha infância, adolescência, juventude e tudo mais. Impossível me sentir longe de mim mesma.

14 comentários:

katyla silva postou o comentário número:

Renata nem preciso dizer que adoro o seu blog né? Adoro a maneira inteligente que você usa as palavras, espero muito sinceramente um dia poder escrever com tanta precisão como você faz aqui no seu blog...Fica uma delicia de se ler aquilo que escreves sem contar com os textos fantásticos que nos presente-as.continua a pessoa espectacular que és, com seus textos construtivos e comentários motivadores.bjs

diariodeumaangolaninha.blogspot.com

Eva postou o comentário número:

Renata querida, eu assino embaixo do que Katyla escreve, vc é genial com as letrinhas, nos prende muito, escreve um livro, fará o maior sucesso, adoro vir aqui, bjo grande, bom findi.

Mônica postou o comentário número:

Renata
Adorei este titulo de livro, vou adquirir!
com carinho Monica

Rô... postou o comentário número:

oi Re,

é longe não existe mesmo,
sabe meu marido veio de Minas porque
me disse que estava vindo para São Paulo,
para casar com a mulher da sua vida,e para ser feliz,
já fui morar distante da família e nunca me senti tão perto deles,
a distância quem coloca é o nosso coração,
e o que para ele é perto,é perto!
linda a sua comparação com a árvore,
o que um dia foi arbusto,
hoje é uma árvore frondosa,
que bom que nossas sementes foram espalhadas
por pássaros que voavam perto um do outro...


beijinhos

Cleide Ana Rota postou o comentário número:

Lindaaaaaaaa; que saudade de ti e dos teus textos... Hoje consegui ficar um pouquinho mais aqui, postar no meu blog e ler outros que eu amo como o seu. Estou bem apesar da ausência; mas sempre com você no coração. Postei tarefa pra ti no blog... Se quiser participe mesmo que seja somente em palavras e não em fotos! Adoro você; beijos.
http://closetdahelo.blogspot.com/2011/07/tarefa-fotos-das-coisas-que-eu-gosto.html

Leticia Carneiro postou o comentário número:

Oi Re, que saudades de passear por aqui, acho que agora vou conseguir comentar...kkkk (tem a opção Nome/URL).
Eu também assino embaixo o que a Katyla escreveu, vc tem o dom para usar as palavras.
As suas palavras encantam minha alma...vc é especial!!!Adoro seus textos, vou procurar este livro que vc indicou e depois eu te conto...
Bjim`´ bom final de semana e fique com Deus.

Baú da Dadá postou o comentário número:

Rê,
que post especial! Esse livro foi meu companheiro durante muito tempo e mudou muito minha maneira de ver as coisas. Nossa visão de tempo e espaço é ainda muito materialista, né?
Grande beijo e especial final de semana "procê".
Passa lá no baú que eu tô com saudade.

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

O tempo e o espaço não têm dimensões,
cabem dentro da gente, vai se moldando.
Vamos adquirindo sabedoria, nada envelhece
em nosso interior, só por fora. É mesmo como
voce descreve, nessa sempre inteligente analogia
que voce estabelece, Guidinha.
É muito bacana, como voce, de um simples momento diário, desenvolve uma narrativa tão interessante para uma reflexão sobre a distância, sobre a existência do "longe".
Agora, então, com a internet, o "longe" acabou de vez. Hoje recebi um novo seguidor na Cadeirinha, vindo da Bélgica....Pode? Claro, que pode! Essa pessoa ficou mais perto de mim, do que a vizinha do lado, que não vejo há tempos rsrsrs.
Excelente, sua bela crônica, amiga.
Bom domingo
Beijinhos

Ana Maria ( Jeito de Casa ) postou o comentário número:

oi Renata

Que ótima dica!!!
Olha, estava vendo seu comentario no blog da Veruska e gostei tanto do que vc escreveu que vim aqui conhecer o blog...
acho que quem faz esse tipo de trapacinha, não tem futuro se queima sozinha e não trará boas energias.

bjusss

Veruska postou o comentário número:

Oi..
tem uma brincadeirinha pra vc. no meu blog..

Leninha postou o comentário número:

Oi Renata querida,estou voltando(nome de uma mùsica linda e música também para mim,depois de tantos dias "de molho").Postei um comentário sobre esta sua linda crônica.mas o computador do consultório não me obedece e manda tudo para o espaço.Também eu adorei este livro,que me ajudou muito em uma época crucial de minha vida...emprestei-o e nunca mais o vi...como tantos outros...
Gostei imensamente deste livro porque fala sobre amor e amizade e sobre as coisas que realmente importam,as feitas de amor e alegria e não de matéria como,infelizmente, muitas pessoas julgam,hoje em dia.
Gosto muito também de Fernão Capelo Gaivota e tenho uma sobrinha que até colocou o nome Fernão em seu primeiro filho.
Bem,Renata,não devo me alongar,já que tenho ainda várias visitas a fazer.
Bjsssssss,Leninha.

Mônica postou o comentário número:

renata
Sempre que retorno aqui é uma experiencia agradável ler o que escreve.
Me dê uma força! preciso dirigir aqui em BH mas estou apavorada!
sua amiga que lhe tem muto carinho Mônica

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,estou passando para lhe desejar uma noite muito feliz,com belos sonhos.
Bjssssss,Leninha.

Conceição postou o comentário número:

Olá Renata,

Vim especialmente te deixar um beijinho e os votos de continuação de boa semana.
Bjs, bjs
São

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