Não ao sabor de cabo de guarda-chuva e a vida na porta da geladeira...


Vida que segue, correria para onde não sei... A semana mal começou e já está terminando. Onde foi parar cada dia dela?  Sumiram. Já vasculhei muitos cantinhos e não encontrei. As coisas que planejei, não fiz. Atuei em um monte de situações que estavam fora do script. Cenas difíceis para qualquer artista nesse palco da vida. Sou mais chegada a um pastelão, mas se o momento exige mergulhar em outros enredos, cumpro o que o grande autor e diretor Deus determinar.
Um dia desses, já não sei precisar a data, estava assistindo na TV Canção Nova, o programa do Dunga. Diga-se de passagem, que um dos meus raros momentos TV. Ando sem paciência para a programação. Minha lista de programas legais é muito restrita - em outra oportunidade falo disso. Voltando ao Dunga com o seu programa - o PHN (por hoje não - no sentido de “por hoje não vou pecar”, onde cada dia é um passo a ser vencido), assisti a um testemunho que me sacudiu e fez lembrar um livro que li nesse último mês: A vida na porta da geladeira de Alice Kuipers. Parece ser uma miscelânea o que estou relatando, porém é assim que realmente ando me sentindo. Consumindo uma salada feita com frutas doces, ácidas, azedas e coloridas. No final de cada colherada o sabor é meio indecifrável. Parto para outra colherada e tudo parece mais doce. Fico na dúvida se é realmente ou se estou me acostumando com o sabor esquisito.
Um professor de matemática lá do meu remoto curso ginasial, definiu a bala halls, que chegava ao mercado brasileiro naquele tempo, como tendo o sabor de cabo de guarda-chuva. Essa aula nunca me saiu da cabeça... Acabei transformando isso na definição do sabor de tudo que acho difícil descrever. Minha salada anda com gosto de cabo de guarda-chuva. Será?
O título A vida na porta da geladeira pareceu-me  muito original, assim como a forma da narrativa - uma troca  de mensagens entre mãe e filha que vão sendo deixadas no decorrer de aproximadamente um ano, na porta da geladeira. Ao contrário do que esperava, a leitura trouxe-me angústia e uma sensação de vazio. É um livro de 226 páginas que se lê rapidamente. Uma hora é o suficiente, já que em cada página encontra-se apenas um bilhete deixado pela mãe ou por sua filha. Resumidamente, é uma história de mãe e filha que perderam o trem da história que poderia ter sido de contato real, carinho e partilha por um pseudo/íntimo relacionamento  vivido com a troca de bilhetes "afetuosos" estampados a porta de uma geladeira.
Fiquei meditando por muito tempo, tentando encontrar alguma coisa em minha vida que se assemelhasse a essa porta de geladeira. O que e para quem estariam sendo os meus bilhetes. Definitivamente para minhas filhas não reservo a porta da geladeira.
Sou mãe que quer filhas no colo e precisa do colo de filhas. Bilhetes esporádicos, recados na caixa de mensagens do celular, orkut  ou  facebook fazem parte, sem nunca se transformarem no todo.
Concluo que a semana/vida passa muito rapidamente por aqui, justamente por ser prazerosa. Percebo que se arrasta somente aquilo que faz mal, que incomoda. Se a vida tem passado tão ligeira é exatamente por estar sendo carregada de coisas boas e mesmo em tudo que se apresenta difícil, Deus tem dirigido cada passo que necessitamos dar nesse maravilhoso intenso-dramático-cômico espetáculo da VIDA.
É, essa coisa não tem gosto de cabo de guarda-chuva. Tem sabor de momento. Seja lá qual for, não dura... Acho que para o paladar não ficar condicionado. A variação de sabores é o que dá o prazer na degustação.
A vida aqui não anda na porta da geladeira. E aí?
    Olhem aí a foto que fiz do meu amiguinho caxinguelê saboreando a vida...

4 comentários:

Lucia Costa Siqueira postou o comentário número:

oi
Querida vim te ver
Encontrei este texto lindo
Vc é danada,nos faz pensar....
Obrigado amiga,adorei
Amanhã então a primavera
E suas belezas,tenha uma linda primavera
Grande bj

Turquezza postou o comentário número:

Guidinha, que lindo! Você tira as palavras de nossas bocas ahaha
Realmente "gosto de cabo de guarda-chuva" ninguém merece.
E também acho que se os dias estão "voando" é porque estamos curtindo muito.
Tem alguns bilhetinhos na porta de minha geladeira ....
Linda foto!
Feliz Primavera!
Beijos.

Leninha postou o comentário número:

BOM DIA,querida amiga Renata!!!E que seu dia,neste palco diário,seja repleto de sabores,saberes,expectativas e certezas...e que sua salada tenha variedades de aromas e cores,doces,salgados,ácidos e porque não?,um tiquinho de amargo pois a vida é isto mesmo,e "é bonita,é bonita e é bonita..."
Você sabe transmitir a beleza e a alegria de viver,a ternura de querer "filhas no colo e colo de filhas".Belíssima imagem,amiga querida!!!Bravo!Bravíssimo!!!
Sabe,seu texto está tããããoooo lindo,que eu gostaria de tê-lo escrito...rsrsrs.
Uma doce manhã de primavera prá você e para esta família linda e privilegiada por ter você.
Bjsssssss,
Leninha

PS:Dê uma passadinha no Sonhos e Encantos,vai gostar do convite que estou fazendo aos amigos de N.Sra de Fátima.
http://leninha-sonhoseencantos.blogspot.com

Anônimo postou o comentário número:

Renata
Estive ausente porque estava no interior de Minas Gerais
Gostei do texto mas esta foto merece um longo comentário, mas só de olhar me deixa em paz.
Sabe, a hostória dos bilhetinhos na geladeira?
Minha mãe tem uma divertida. Ela escrevia bilhetinho pro papai, mas eram lembretes. E n´so tinhamos uma empregada que tinha casado recentemente.
Um dia o marido foi lá em casa conversar com mamae e contou que a sua esposa, nossa empregada, só conversava com ele por meio de bilhetinhos e que ela estava imitando mamae.
Mamae a chamou e lhe disse;que ela e o papai conversavam muito que aqueles bilhetes eram só algumas ideias não era o assunto todo.
Mas mesmo assim eles se separaram.
E papai ficou muito tempo rindo da moça.
Com carinho Monica

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