Insubstituível?

Estou vivendo um momento que ao mesmo tempo parece simplório e fútil, confunde-me e faz com que repense muitas situações vividas anteriormente.

No mês de agosto último o responsável pelo corte de meus cabelos, despediu-se da vida de forma súbita, deixando uma legião de clientes vagando sem rumo. Tenho dificuldades com essas coisas de salão de beleza. Não me apego a esse ou aquele. Quero encontrar nele um profissional que trabalhe bem, mas que tenha essência na alma. Aquele papo sem nexo ou aconselhamento terapêutico, não faz definitivamente a minha cabeça. Sei que muita gente não gostava do temperamento do Ivan - meu cabeleleiro, mas quem teve oportunidade de conhecê-lo melhor, sabia que o seu físico avantajado escondia um menino com uma alma linda, cheia da vontade de superar dificuldades familiares vividas em sua infância e adolescência, e que por isso muitas vezes se colocava na defensiva. Talvez me identificasse tanto com ele em função de termos a mesma idade. No último corte que fez em meus cabelos, foi muito especial. Mesmo doente (pensava estar se recuperando de uma caxumba que o atacou tardiamente - na verdade era um tumor na parótida), quando soube que era eu quem estava lá no salão, saiu do seu repouso e fez questão de atender-me. Brincamos muito um com o outro. Ele fazia planos de passar alguns dias do mês de setembro descansando na Bahia e eu recomendava que não demorasse por lá ou mesmo se rendesse as belezas daquelas praias e nos abandonasse definitivamente nessa serra de cá. Nos despedimos e duas semanas depois, sua passagem por aqui se concluía.  Ficou o soco no estômago, a sensação de vazio e abandono. Ficou a lembrança gostosa de alguém que cuidava de minha cabeça por fora e ganhou espaço dentro dela.

Mas e agora? Depois que o Ivan se foi, ando sem rumo com relação aos meus cabelos. Já fiz dois cortes com outros profissionais de agosto pra cá. Não ficaram legais... Marquei para a próxima semana uma nova tentativa com uma profissional que na verdade também era cliente dele. Quando cheguei para marcar o corte, ela já balançou e na agenda reservou um horário maior, pois ficou insegura para dar continuidade ao trabalho do Ivan. Se ela ficou insegura, imagine eu. Pelo jeito vou desmarcar.  Sei que vou acabar encontrando alguém para  assumir o corte dos meus cabelos, que não são tão difíceis assim. O que não vai poder ser substituído é o Ivan. Teve seu momento em minha vida. Embora seja costume dizer que ninguém é insubstituível, acredito que gente não se substitui. Muitos são acrescentados em nossa trajetória, mas quem passa por nós de forma positiva ou negativa, deixa sua marca. Marca esta que é como um traço no desenho de nossa vida, cada um vai compondo o quadro que pode resultar em algo belo ou destoante.

Tenho lido postagens profundas de muitos blogueiros e sinto que possam  pensar que estou dando importância demais ao corte dos meus cabelos. A verdade  é que não sou ligadíssima nessas coisas, não. Gosto de me cuidar é claro, sem piração. O que tenho dificuldade de fazer é aceitar o dito popular de "rei morto, rei posto".  Quanto aos cabelos, o jeito é me adaptar. Talvez até mudar o estilo. Já o coração...



10 comentários:

Maria Helena postou o comentário número:

Ôch Renata ! Que chato hein !!?!! Parece que ele está fazendo falta mesmo. Penso que o trabalho será substituido com o tempo e pesquisas. Mas o amigo... Fica bem Bjis

Deusa postou o comentário número:

Que pena...eu entendo perfeitamente,a gente coloca uma pessoa na vida da gente,são vizinhos,ou pessoas com as quais convivêmos sempre por longos anos,nos acostumamos a eles,nos apegamos,depois ficamos perdidos.Eu sempre reclamo aqui das pessoas que trabalham na minha casa,duas na verdade como faxineiras,não me adaptei,porque antes de sair de Goiânia eu tinha a longos anos a mesma empregada por quem eu nutria muito afeto,que me socorria e eu idem em todas as horas,depois so encontrei pessoas preocupadas com o dinheiro e a hora de sair correndo pra casa,eu pagava a diaria e elas mal aguentavam ate o inicio da tarde....ou seja...fiquei sozinha....minha cabelereira do mesmo modo,anos a fio,nunca mais me preocupei em ir toda semana ao salão,perdi a graça das conversas gostosas,do cafe com bolo,dos momentos em que as mesmas clientes se encontravam fazendo as unhas e rindo do dia a dia...perdeu muito a graça.Sorte a minha que não tenho um corte personalizado,preferido.Meu cabelo e cumprido,fino e liso,mas a cor...amiga...agora tenho um arco-iris na cabeça...rsrsrsrs...ninguém acerta....mais a gente acaba achando uma pessoa boa de novo,não como profissional somente,mas como amiga(o)como parte da nossa agenda.da nossa vida.
Deusa
vasinhos coloridos

edilene dangelo postou o comentário número:

Oi Renata ! Sinto muito por vc sei que e chato msm, Aconteceu isso comigo mas ñ foi por morte foi desentendimento ,
E difícil acostumar com outro profissional do ramo demoraaaaa mas a gente consegue rsrsrsr...
Fica com DEUS.
E OBRIGADA PELA VISITA E VOLTE SEMPRE QUE PUDER.
bjsss querida.....

casa de professora postou o comentário número:

É amiga, eu que o diga, ninguém no mundo pode ser substituído, no fundo sentimos a falta daqueles a quem amamos para sempre...seja ele o cabeleireiro, o porteiro, o carteiro, o dono da papelaria, o amigo...e mesmo o trabalho de um profissional nunca será substituído de todo, sempre diremos: o corte do fulano era assim, o carteiro fulano sempre deixava as cartas sobre a mesa da varanda...e continuamos a cortar os cabelos, a receber e enviar cartas, só o amor ná será substituído...bjs!

Rô... postou o comentário número:

oi Re,

o seu cabelo vai achar um novo profissional,
e no seu coração lindo, sempre vai haver lugar
para um grande amigo...
parece que o tempo vai colocar seu cabelo
no lugar,
tenho certeza...
e a saudades vão se acomodando...

beijinhos

Turquezza postou o comentário número:

Ai querida, como é difícil, né?
A pessoa jamais morrerá em nossa lembrança, mas é muito dolorido .........
Quanto ao seu lindo cabelinho (na foto está ótimo) certamente encontrará outras mãos competentes e só tentar mais um pouquinho.
São ciclos da vida ....... temos que mudar!
Fique em Paz.
Bom domingo.
Beijos.

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,assunto complicado este...hoje mesmo,ao chegar na sala,surpreendo minha irmã chorando e não querendo dizer nada.Mais tarde veio me dizer que estava pensando em como as pessoas se vão de nossas vidas,por morte ou mudança de casa ou de cidade...só as lembranças perduram.
Estava tocando Enya e minha mana,com Ariel no colo,poz-se a meditar e num relance descortinou toda a sua vida e as pessoas que dela já se foram...ficaram as lembranças e a saudade,uma saudade boa onde ela só encontrava os bons momentos vividos.Depois deste encontro com um passado,não tão distante,se fixou no presente,em mim,em nosso irmão e na Ariel,sentindo-se feliz com nossa pequena família.
O Ivan se foi,a saudade vai permanecer,você não vai substituí-lo,mas vai encontrar alguém,assim esperamos,para fazer o seu corte de cabelo e,talvez,quem sabe?se
tornar um grande amigo,diferente,mas amigo.
Bjssssss e um carinho em suas madeixas,
Leninha

Conceição postou o comentário número:

Olá Renata,

é assim a vida, infelizmente!
Beijocas e boa semana.
São

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

Se ninguém entrar antes de mim, (sou lenta) este será o comentário de numero:9...vamos ver!

Guidinha, perder alguém que se foi e não retorna, é sempre muito dolorido, ainda mais quando "parece" insubstituível. Por enquanto, parece que vc ainda não conseguiu um substituto pro Ivan.
Minha amigo, vou lhe contar: não suporto ir à Salão. Nestas quase 7 décadas, talvez tenha ido uma dúzia de vezes....faço em casa mesmo. Agora então, que assumi a "neve" de meus lisos cabelinhos...tá melhor ainda. Mas sei que sou exceção à regra, a maioria gosta de salão.
Salão, só de festa, para uma dancinha à dois!

Amiga, venha sentar-se um pouquinho na Cadeirinha apreciara minhas doces lembranças (literalmente).

Parabéns, pela bela homenagem ao amigo-cabeça(literalmente, também...)

Um xêro!

Maria Cândida postou o comentário número:

Oi Renata !
Hoje pensei muito em uma amiga de trabalho que se foi há algum tempo. Penso que por gostar muito dela, esta lembrança está sempre em minha cabeça e eu não entendo porque ela se foi deixando duas crianças tão pequenas e que precisavam muito dela. Não sei... Sempre peço a Deus que cuide dela e da sua filhinha e do seu bebezinho. Não é egoísmo da minha parte mas por que ?
Esse acontecimento tem quase 3 anos e as crianças na época, tinham 1 e 5 anos e ela era tão simpática, feliz, trabalhadora e dedicada.
Sabe aquela amizade que começa devagar e se fortalece dia a dia? Saudades, muitas saudades.
Mas devemos guardar os bons momentos.

Bj
Maria Cândida
oprazerpeloartesanato.blogspot.com

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