Aromas e sabores de infância

Tem dia que a gente acorda sentindo cheiros de infância no ar. Hoje acordei assim. Logo cedo me veio à lembrança toda delícia da cocada de Dona Edina. Ela fazia cocadas para vender e era nossa vizinha. Imaginem a perdição  da coisa. Sinto saudades não só das cocadas, mas da Aninha, do Luiz e de Cinha (Lúcia) todos filhos de Dona Edina. A Cinha foi morar com o Pai do Céu faz tempo. É uma saudade gostosa de ser vivida.
Sempre optava pelas cocadas brancas, úmidas e maravilhosas. Com o tempo fui gostando das pretas também. O sabor e a textura dessas últimas, totalmente diferentes pelo fato do coco ser queimado, demoraram a me conquistar. Nunca mais pude saborear cocadas como aquelas. Sei que a receita é um segredo de família e acho que assim deve permanecer. Só espero que um dia ainda possa senti-lo novamente, através dos descendentes dessa gente tão querida.
Tudo isso é de um tempo em que vizinho era amizade para vida toda. Tempo em que as mães sabiam da origem de toda a turma que cercava seus filhos. Tempo em que a televisão e mais tarde o computador não reinavam nas casas. Tempo em que conversa não era no MSNfacebook... A vida era um tête-à-tête. Conhecíamos a voz, a gargalhada, os tiques dos nossos interlocutores. Os sabores de todas as cocadas...
Não renego a tecnologia, porém sinto falta de poder usar os meus cinco sentidos tão trabalhados e apurados na infância que se faz presente na alma, infância que construiu o meu hoje, infância com sabores e aromas marcantes que impregnam minha vida do doce prazer de lembrar. Cocadas, doce de leite, sorvete de goiaba, queijadinhas... 
Em meu quarto, com os recursos de um difusor, essa lembrança é viva através de minha memória olfativa. Sinto cheiro de alfazema no ar...
                                  Mirindiba que habita minha infância ainda presente na alma...



Como o clima está completamente doido, com temperaturas tão baixas  incomuns nessa parte do hemisfério no mês de novembro, o organismo está respondendo de forma negativa... O corpo está dolorido, garganta arranhando e uma moleza incomum resolveu se instalar nessa criatura que está a escrever. Por isso, desculpem-me pela falta de visitas e de respostas aos comentários das últimas postagens. Já estou me cuidando e prometo aos pouquinhos chegar até cada um de vocês. Bjks no coração de cada um.

15 comentários:

✿ chica postou o comentário número:

Tu escreves maravilhosamente bem e nos leva junto na narrativa...Me vi grudada numa cocada( não só numa,rssr)...


E tens razão...Quantas saudades daquelas vozes, dos risinhos, das palmas nas janelas daquele tempo onde tudo era mais simples...

Adorei te ler e senti(imaginei sentir pois estou entupida pelo gripão) o perfume da alfazema no ar...
LINDO! beijos,tudo de bom,chica

LaReK postou o comentário número:

Ah, Re... sempre tão bom vir aqui!

Então, o meu paladar também sente falta de algumas comidinhas. Pepino azedo feito pela vó paterna, macarrão ao sugo da vó materna, pão com açúcar dado pelo avô, massa de pão frita pela tia. Sorte que ainda posso degustar a comidinha da minha mãe sempre, o que também me remete a infância! Quanto à tecnologia, já fui de uma geração que cresceu com video game, mas a tecnologia das coisas não era de forma tão intensa como temos hoje.

Aiai... do que será que a geração de hoje vai sentir falta?

Beijocas e bom finde!

Julia Vieira postou o comentário número:

Renata,
Entrei em seu blogue por mero acaso estava lendo o da Elaine que recebo desde que ando nestas andanças da net. Não vou ocupar o seu tempo, só para lhe dizer que adorei, lia um texto, logo outro me chamava a atenção. Então estou mesmo aqui para lhe dar os Parabéns. Adorei. Que tudo continue muito bem consigo e com os que ama.
Beijo
Júlia (aqui em Lisboa)
nota: eu comecei um blogue mas o tempo não tem dado então ele está lá paradinho à espera que um dia eu tenha oportunidade de pedir à Elaine o seu saber.
fica aqui meu e-mail:
julia.vieira@sapo.pt

Liliane de Paula postou o comentário número:

Tenho poucas lembranças comestíveis de minha infância. Mamãe era a pior cozinheira do meu mundo. Talvez pq tenha tido filhos demais. Mas lembro de carne mal passadas na casa de minha tia. Não lembro do cheiro. Lembro do gosto.

Ale Quejinho postou o comentário número:

Que saudades deste blog, fiquei um tempo sem tempo, rsrrs. Mas hoje estou fazendo o que mais gosto, visitar. Lindo o seu post como sempre.
bjocas
Quejinho

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

Eu sempre dei preferência à cocada preta.
Perto lá de casa havia uma dessas dona "Edina",
da cocada. Era muito gostosa, tem mesmo gosto de infância, esses sabores da lembrança...


Saúde, Guidinha
Beijunhos,
da Lúcia

Luzia Lira Pedagoga postou o comentário número:

Li seu texto. Adorei. Lembrei de comer tapioca na infância. Hummm...Adorava. HJ tento, o sabor não é o mesmo.

Bjos Luzia

Turquezza postou o comentário número:

Ai Guidinha .... você me fez ir lá atrás no tempo também. Sou da época em que as mães colocavam cadeiras nas calçadas e enquanto conversavam, as crianças brincavam ....as ruas não tinham tanto carro, nem bandidos (ficavam escondidos acho eu, porque ninguém via nem éramos molestados).
Minha avó e mãe eram doceiras de mão cheia como se diz. Trocávamos guloseimas com as vizinhas, sentíamos o cheirinho no ar, do café, do bolo, de todas as casa e sabíamos quem estava fazendo.
Nós ganhávamos quibes turcos (nunca vi igual até hoje, nunca mesmo) e oferecíamos outras gostosuras também. Doces feitos com frutas do nosso quintal......
Cocadas? Muitas. Hoje em dia existem umas bem gostosas na pracinha de Saquarema. Não iguais às daqueles tempos, mas lembram bem e quebram um galho rsrs
Sabe, minha casa tem cheiro de bolo e geléia(que faço com muito gosto), as pessoas dizem e fico toda boba.
O que será amanhã? Responda se puder! Que nem aquela música de uma Escola de Samba que não lembro o nome.
Fique bem, querida.
Bom finde.
Beijos.

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,boa noite!!!

Estou aqui a relembrar os gostos e cheiros de minha infância,lá na longinqua Manhumirim...e me vem à lembrança o aroma que vinha da cozinha de minha avó paterna,onde sempre havia um tacho borbulhando com os doces das frutas da época:goiaba,marmelo,abacaxi,mamão verdinho bom prá se comer com queijo bem molinho,laranja da terra e muitos outros mais.
Outros cheiros ficaram grudados em minha memória:o do casaco de casimira de meu avô,impregnado pelo cigarro,o da pinguinha que ele degustava antes do almoço,o do armazém de café,com suas catadeiras enfileiradas e muitos,tantos odores que se eu tentar descrever todos,farei uma postagem...kkkkk.
Nossas vidas eram muito ricas em impressões,amiga e hoje isto não existe mais...a tecnologia roubou a poesia da vida.
Quanto à garganta,que tal um cházinho de folha de limão?É gostoso e não faz mal.
Aqui em Barbacena também está um frio inexplicável para esta época do ano.Estou toda enrolada e sentindo frio.

Bjsssss carinhosos e muito carinho,
Leninha

casa de professora postou o comentário número:

LINDO TEXTO...ME FAZ VOLTAR NO TEMPO E TB SENTIR VÁRIOS AROMAS E SABORES, COMO O BOLO DE FESTA COM RECHEIO DE GOIABADA, O KI-SUCO DE UVA, SUSPIRO CASEIRO, BOLINHO DE CHUVA DA MINHA QUERIDA MÃE...TEMPO QUE NÃO VOLTA MAIS...MAS QUE FICARÁ NA MEMÓRIA PRA SEMPRE...FICA BOA LOGO AMIGA E VOLTE A DAR O AR DE SUA ALEGRIA...BJS!

Anônimo postou o comentário número:

fiquei com saudade de comer cocada - e pipoca com queijo frito...

sabores da infancia!

inaier.blogspot.com

Mônica postou o comentário número:

Renata
Eu também gosto muito de cocada. Mas minha infancia o que eu mais gostava era de goiabada com queijo cascão.
Acho que vovó Zica enviava de Araxá para a gente. Era uma festa quando viamos a sobremesa.
Moravamos em Varginha.

O tempo aqui esta também esquisito, não gripei mas dou cada espirro!
Eu estou tentando andar pelos caminhos por onde minhas amigas vivem.
Alguns lugares eu conheci. Outros ainda quero conhecer!
São Paulo foi um dia triste para mim mas quero rever esta terra que tem tantas pessoas lindas e bacanas.
com carinho e amizade Monica.

Helena Compagno postou o comentário número:

Oi, você é muito parecida comigo!!!! nem nos conhecemos e estou sempre a pensar em você, acredita? Eu amanheço todos os dias com esses cheiros da infância porque vivo tão longe dos meus, do meu povo, da minha gente e só me resta mesmo sentir saudades.
Beijos e tenha uma ótima semana

Elaine Lobato postou o comentário número:

Oi Renata li seu texto e babei aqui, amo cocada!
da minha infância lembro muito de doce de leite caseiro nunca mais comi igual!

Vim lhe convidar para participar do primeiro sorteio do meu blog: tem livro e carinho!

elainelobato.blogspot.com
bjs

ELAINE postou o comentário número:

Passei pra dar um ôi e desejar uma semana abençoada! Melhoras, viu? Bjnho!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/

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