Guardiã do inútil? Nem pensar...

Um dia desses já no final do expediente, estava conversando com uma colega de trabalho e me assustei quando ela relatou as mudanças que fez no seu jeito de viver, influenciada por mim. Logo no comecinho do papo imaginei que viria bomba, pois afinal de contas ela é super inteligente, competente, descolada, religiosa... O que poderia ter absorvido das minhas maluquices? Mas não é que ela foi relatando uma situação que vivemos, onde eu com essa minha história de diminuir o acervo de tralhas domésticas, levei lá para o trabalho jogos de xícaras, bandejas, roupas, calçados, bolsas, bijuterias e mais um monte coisas que estavam em perfeito estado, porém encostadas dentro de um armário de casa, chamei o povo e disse: Alguém se interessa por alguma dessas coisas? Se interessar é só apanhar e levar, inclusive tem sacolas reservadas para acondicionar o que escolherem...  Não sobrou nada. Com o tempo passei a ouvir a frase "Renata, quando você vai fazer arrumação novamente nos armários?"  Na época, ela me perguntou por que estava fazendo aquilo e eu expliquei que não gosto de coisas abarrotando minha vida. Ter o necessário é maravilhoso. O excesso é oneroso e sem sentido. O que eu acumulo, pode estar faltando pra alguém. Não sou centopeia, logo não preciso de pares e mais pares de sapatos. Tenho horror de ter que ficar arrumando armários, para fazer higienização periódica e devolver tudo que estava dentro para o mesmo lugar e perceber que nada foi usado desde a última limpeza. Fico me sentindo uma guardiã do inútil...    Foi aí que ela se tocou que vinha sendo uma guardiã do inútil por décadas.
Isso já faz muitos anos e é muito engraçado só agora saber que nesse dia, quando ela chegou em casa, começou uma faxina geral, penalizada por nunca ter percebido que também fazia parte do exército dos guardiões do inútil. Quase morri de rir quando ela exclamou: Naquele dia entreguei a farda e pedi baixa, estou liberta!

 Esse (agora porta guarda-chuvas) aí é de uma pousada em que estive, mas se fosse meu eu guardava... rsrsrsr


Essa postagem é em homenagem a Helena, uma blogueira muito querida , dona do Minha Primeira Costura.

18 comentários:

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,
Novamente em casa,pois minha irmã não quis ficar mais no Rio,encontro esta jóia de texto,me fazendo meditar sobre as minhas inutilidades amealhadas durante a vida inteira...algumas já ficaram para trás,devido às mudanças e transformações em minha existência...outras permanecem e preciso aprender com você esta arte do desapego.Hoje mesmo estive a mostrar ao meu amigo que veio de Minas,uma blusa linda de renda que pertenceu à minha irmã e que eu guardo há anos.Eita trem difícil é o tal do DESAPEGO!!!
Mas,um dia eu chego lá....................

Estou sumida pois tenho mostrado a cidade ao meu amigo e tenho me tornado perita na arte de medir ruas.
Bjssssss,
Leninha

Lucinha postou o comentário número:

Renata,

Você tem um senso de humor ao relatar suas histórias. Rs

A sua atitude serviu de exemplo. Gostei da definição "guardiã do inútil". Eu, já mudei muito, mas preciso fazer como a sua amiga de trabalho: entregar a farda, pedir baixar e me libertar de muitas coisas. Rs

Jamais jogaria um galão de colocar leite desses fora. E se achasse um, levaria pra casa. Rs
Lindo demais!

Abraço e parabéns pelo lindo exemplo.

Beijos

CamomilaRosaeAlecrim postou o comentário número:

Olá...vim visitar e adorei o seu post de hoje...e penso da mesma forma!
Muito legal quando vc diz que não somos centopéias para acumular pares de sapatos...também acho!
Vivo fazendo faxinas gerais e doando...
Parabéns pelo Blog caprichado!
Bjs e tenha um ótimo sábado...bons pensamentos!
CamomilaRosa

✿ chica postou o comentário número:

Lindo post.Adorei e eu também sou daquelas que não deixar nada parado dentro de casa. Se não uso, há de ter quem precise!!!

E sempre tem!1 beijos pra ti e pra Helena! chica

Bruna Lima postou o comentário número:

Nooossa, parecidíssima comigo. Acabei de dar "aquela arrumada na casa e doei tudo o que me inútil, e com certeza, muito útil para muitas pessoas, como roupas, sapatos, móveis, livros (eram tantos que juntei 10 sacolas e distribuí entre os funcionários do meu prédio). Minha casa ficou clean!
Saudades de vc, minha única seguidora!

Rô... postou o comentário número:

oi Re,

as vezes fico olhando a minha volta,
e tenho vontade de me desfazer da metade,
sempre promovo dias de faxina geral,
mas mesmo assim parece que temos o dom de acumular...
isso me incomoda muito,pois minha casa é pequenina,
feito casinha de boneca,
então não tem espaço pra juntar nada...
somente o necessário,
mas mesmo assim sempre acho que poderia me desfazer de muito mais coisas,
meu marido diz que sofro da síndrome do "dia de faxina",
antes assim né,Re?

adorei o latão!!!
beijinhos

Turquezza postou o comentário número:

Renata, você é das minhas !!!
Não sou centopéia, nem quero ser rsrs
Já tirei a farda a muito tempo ....
E sabe de uma coisa, vou levar esse link para meu blog e face, tem gente que precisa acordar para a vida real ........ o supérfluo só traz casa entupida e nada confortável, né?
Veja lá depois, vou fazer com calma.
Adorei seu jeito de contar, como sempre.
Beijos.

Helena Compagno postou o comentário número:

Minha amiga, conforme ia lendo o seu post, ia pensando no meu sofá e doida para te mandar um recadinho, tipo assim: dá para incluir um sofá nessas coisas aí?" e sabia que ao escrever o post haveria de estar pensando no meu sofá, nesse apego por essas tralhas, mas não sei o que me deu insistir tanto nesse sofá, pois sou completamente desapegada a coisas velhas, gosto de reformar pelo prazer de fazer e não pela economia, pelo sentimento. Faxineiras adoram trabalhar em casa porque já no primeiro dia entulho as coitadas de cacarecos - às vezes dou coisas que depois me arrependo, esqueço que dei, fico procurando pela casa (e às vezes até penso que fui roubada!!!!). Ai Renata, adoraria te conhecer pessoalmente, pois noto que é tão maluca quanto eu e iríamos dar ótimas risadas, te garanto. Beijos e obrigada por falar de mim nesse blog tão especial e querido, pois para mim é um privilégio, sabia?

Maria Teresa postou o comentário número:

Oi Renata, você é direta e certa, gostei.
Ainda tenho muito a aprender, um dia chego lá.
Sempre fui muito de doar, mas com a mania de aproveitar para artes, comecei a guardar algumas coisas, com a intenção de doar - ensinando.
Mas aquele latão de leite é lindo, também gostaria de ter, abraços carinhosos

Elaine Canha postou o comentário número:

Oi Renanta

Digamos que hoje em dia eu seja mais seletiva em o que guardar de volta depois da limpeza, mas ainda sou adepta do "e se um dia eu precisar..." o pior é que tem coisa que acebei precisando mesmo e me arrependi de ter jogado fora, mas faz parte.

Beijos e bom domingo

Coração da Nena postou o comentário número:

Nossa Renata, suas escritas bem falam sobre o desapego e destralhamento.Amei ler e aprender com vc.
Bjs carinhosos,
Nena.
www.coracaodanena.blogspot.com

. postou o comentário número:

Conheci teu blog através da TURQUEZZA uma queridísima ,e achei esse POST , espetacularrrrrrrrrr !!! Você foi simplesmente um espetáculoo , preciso URGENTE tirar minha farda de guardiã do INÚTIL !!!

Veruska postou o comentário número:

Oi Renata!! Adorei o post!! Eu tb. não costumo guardar o que não uso, sempre tem quem vai aproveitar.
E esse "jarro" da foto, eu tb. guardaria, rsrsrs...
Bjusss

Tem sorteio lá no blog, vem participar!!

Crisbella Artes postou o comentário número:

olá querida Renata,
adorei seu texto,uma vez li uma reportagem em que a especialista dizia que quando vamos arrumar os armários e nos deparamos com roupas ou objetos que ficaram guardados por um certo tempo, é porque não fizeram falta e por isso devemos nos desfazer e fazer como vc fez, doar para alguém, pois de repente essa pessoa pode estar precisando.
Confesso que gosto de guardar algumas coisinhas, rsrsrsr.
Uma ótima e abençoada semana pra ti.
Um grannnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnde beijo no seu coração.

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

Essse "porta guarda chuva-chuvas" eu também carregaria comigo, se alguma "guardiã do inútil" (como EU), estivesse doando. Lembram-me os carregadores de leite, nas estradas das GERAIS...e do Ceará também...

Vou ver se esta sua crônica me incentiva a deixar de ser uma GU...rsrs

Vim convidar você Guidinha a ir apreciar um belo conto do meu tio-avô, aquele aoutor de "Dona Guidinha do Poço"...está agradando, aos que têm se sentado na Cadeirinha de Arruar...Quem sabe,agrada-lhe também?

Um Xêro,
da Lúcia

Mônica postou o comentário número:

Renata
Voce e sua amiga tem razao. Papai quando faleceu tinha dado as roupas novas de pouquinho para quem o visitasse.
E eu continuo comprando...
com amizade Monica

Nívia F. postou o comentário número:

Eu sou guardiã-mor do inútil. Sempre acho que um dia aquilo vai se tornar útil... Amei seus textos. Sou sua fã!

Marion Creutzberg postou o comentário número:

Pois é, faço limpezas e passo mta coisa adiante.... mas tb guardo mta coisa - tipo essa lata que eu tb guardaria - pra fazer alguma invenção um dia! Abs.

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