Dependência química

Nesse momento faço uma postagem diferente das de costume, pois é impossível levar a situação que será relatada com alguma comicidade. Não há como ver a luta de minha amiga, como uma coisa fácil de viver.
Gente, essa família é real. Eu os conheço e sei que não faltou amor, presença de pai e mãe, religiosidade. Não, de jeito nenhum! Em uma análise leiga e despretensiosa, vejo com esse meu olhar que tende sempre a enxergar coisas por prismas não convencionais, tenho tendência a acreditar que faltou comprometimento social e humano de muitas pessoas que viveram entorno dessa família e não tiveram a compaixão de alertá-los para algo que não estavam percebendo. É essa omissão, esse "não é comigo", a falta de fraternidade, companheirismo e partilha que transformou um lindo menino em um homem frágil e dependente. O que fizeram os professores, funcionários da escola, vizinhos, amigos e parentes logo no comecinho da coisa?
Fico a me perguntar, por que as pessoas que tinham conhecimento do que estava acontecendo não contaram aos pais, mesmo que de forma anônima? Foi covardia o que fizeram.
Enquanto vivermos em uma sociedade covarde, alheia ao que aparentemente só diz respeito ao outro (pena que isso não é lembrado quando se trata das rodinhas de fofoca), essa história se repetirá infinitas vezes.
A carta dessa mãe precisa ser lida em escolas, igrejas, praças públicas, emissoras de rádio e TV... Não porque hoje a carta é dela e amanhã poderá ser nossa e sim por partilharmos de um sentimento único de amor ao próximo, onde a dor do outro seja a nossa dor. Só assim a alegria do outro poderá se tornar a alegria social. Só se vence uma batalha se tivermos estratégias organizadas de luta. Nossas armas não necessariamente precisam ser as mais potentes, mas é primordial que sejam as mais bem usadas. Posso ser dono da baioneta e morrer tentando atacar o outro, basta que para isso eu tropece e caia sobre ela.
Por favor, leiam, divulguem, posicionem-se antes que percamos a guerra.
 
 
 
"Carta Aberta Para...
-Sou mãe de dependente químico... meu filho nasceu no ano de 1980, já tinha duas meninas e todos podem imaginar a nossa alegria, principalmente a do meu marido que tanto queria um filho homem... Teve uma infância tranquila e feliz, com saúde, levado é verdade mas uma criança normal... Com o início da adolescência vieram os primeiros problemas. Começou a usar maconha dos 13/14 anos, sentimos alguma mudança em seu comportamento, mas jamais desconfiamos de suas atitudes.Com o passar do tempo foi tendo problemas com os estudos, estava cada vez mais envolvido com a maconha, seu aprendizado ficou comprometido, chegando a perder o ano por duas vezes. -Aos 17 anos foi detido pela policia, ficando 3 dias sob a custódia do Juizado de Menores de Teresópolis. Foi nessa ocasião que passamos a entender tudo o que estava acontecendo: seu desinteresse pelos estudos, seu comportamento difícil e distante com relação aos pais e sua agressividade com as irmãs. Sob a orientação de assistentes sociais do Juizado de Menor decidimos que deveria sair de Teresópolis e sendo assim, o enviamos para a casa de meus pais em Fortaleza. -Começou a trabalhar, terminou o 2º grau, e com o pouco de dinheiro q ganhava começou a sair, fazer amigos e foi então q em 2002 passou a usar cocaína, nunca foi de beber muito, foi perdendo novamente o gosto pelo trabalho, e se envolvendo cada vez mais com as drogas. -Em 2004 passou a usar crack, perdeu o emprego, passou a viver de "bicos" e de algum dinheiro q inocentemente minha mãe dava pra ele. -Alertados por meus irmãos, eu, meu marido e minha família nos mudamos para Fortaleza na tentativa de salvar nosso filho. -Em 09/08/2002 desembarcamos em Fortaleza, deixando toda uma vida pra trás, e um grupo grande de amigos queridos... mas já era tarde... seu vívio estava em grau avançado e ai começou nossa luta q parece não ter fim. -Começaram as internações,um entra e sai de clinicas, caras, baratas, pelo plano de saúde, clinicas sem nenhum condição e até hospital psiquiatrico (o que não é o caso, mas é o q o Estado oferece... uma coisa é doente mental, outra coisa é dependente quimico). - Em 2008, em julho, meu filho foi internado mais uma vez e começou seu período de recuperação... por 2 anos e 1 mês meu filho ficou LIMPO... arranjou emprego, namorada, montaram os dois seu apartamento e casaram em maio de 2010... meu coração de mãe se renovou, passamos a ter momentos de família reunida, quanta alegria meu marido fazia o almoço de domingo...(por isso devemos aproveitar todos os momentos de felicidade, pois não sabemos quanto tempo eles vão durar) - Ai, veio a recaida, minha nora grávida, meu filho perde o emprego e começa tudo outra vez... temos passado dias de muita tristeza, começaram outra vez o entra e sai de clinicas... minha netinha nasceu... coisinha mais linda e eu pensei " agora ele sai dessa pela filha"... q nada... a frustação de não ter emprego, de não poder sustentar a família e tudo mais, ele tem vivido entre períodos limpo, internado, recaido, uma loucura... -Ontem saiu da casa de recuperação onde estava pq precisava ver a filha e a mulher, só q ela pegou a filha e foi pra casa de parentes em São Luiz do Maranhão, ele enloqueceu... até entendo a atitude dela, não desejo a vida dela pra minhas filhas tbm não desejo pra ela... não sei o q vai acontecer... já cosegui outra clinica(aquela q ele ficou em recuperação por 2 anos, particular)... minha filha tá tentando levar ele pra la... -Jamais abandonarei meu filho, jamais abandonarei minha familia. Sou mãe e avó, tenho a esperança de um dia vê-lo livre do vício (a droga não pode vencer o amor), feliz e principlamente, vivendo em paz, a paz interior q todos precisamos para lutar por dias melhores, para lutar e conquistar a dignidade plena q um cidadão necessita para ser feliz... - Obrigada a todos vcs que já me ajudaram nesta luta... - S.O.S. autoridades do meu Estado do Ceará, Governador, Deputados, Secretario de Saúde, Vereadores... - Minha família, meus amigos... divulguem pode ser q meu depoimento ajude alguém... "
 
 
Minha querida amiga, você sabe que já me alistei nesse exército faz tempo. Lutaremos incessantemente com as armas que estiverem a nosso alcance, nunca esquecendo que a energia da tropa vem do Criador que nos fez irmãos.

14 comentários:

Neli Rodrigues postou o comentário número:

Mto comovente. Mto real e está mais perto do que imaginamos.
Divulguei no twi.
Bjs♥

Lucinha postou o comentário número:

Renata,

Quando vi o título de sua postagem no painel, estranhei. Como você mesma relatou, não é um assunto que você costuma trazer.
Mas é assim mesmo. Temos horas pra rir, chorar, desabafar, partilhar conquistas, mas chega um momento que precisamos falar de algo, que muitas vezes, não gostaríamos de abordar.
Esse assunto muito me preocupa. Do jeito que a coisa está, não sei onde esse mundo vai parar.
E, creio que não faltou amor da parte dessa família que ainda luta com todas as forças pra tirar esse rapaz desse vício terrível.
Vou divulgar no Facebook.Ok.

Beijos

Anônimo postou o comentário número:

Com certeza que esse texto vai ajudar muita gente (pelo menos me alertou sobre o vicio das drogas). Apesar de ser uma pessoa muito bem informada, sei que as drogas viciam e quem entra dificilmente sai, confesso que estava pensando em experimentar...Já que vou para Holanda de ferias, mas não troco minha vida inteira por besteira!
Obrigada

✿ chica postou o comentário número:

Triste e emocionante carta dessa mãe.Uma pena e isso está ao nosso lado, basta olhar...PENA! beijos,chica

:Denise postou o comentário número:

Renata vim aqui te conhecer através do Mamães modernas. Um assunto muito delicado pois pega no ponto em que mais tenho dificuldade em criar minhas filha, a influencia externa, que hoje tem um peso imenso na vida de nossas crianças. Fico imaginando a vida dessa familia e não me conformo com a atitude da esposa, ele tem direito é o PAI e sempre será independentemente da situação. Que Deus ilumine e abeço essa familia principalmente a cabeça dos politicos para que possam olha com mais afeto essa questão das drogas.
Amei seu espaço principalmente o nome do seu blog.
Beijos
:Denise

casa de professora postou o comentário número:

QUERIDA RENATINHA, FICO MUITO TRISTE COM ISSO PQ TENHO DOIS FILHOS LINDOS DE 24 E 20 ANOS, QUE AINDA CORREM O RISCO DE CAIREM NESSA ARMADILHA, MINHA AMIGA ESTÁ PASSANDO POR UMA DOR MUITO TRISTE TB, SEU FILHO DE 21 ANOS FOI PEGO COM DROGAS E FOI PRESO ESSA SEMANA...FICO MUITO REVOLTADA, ACHO QUE ELES DEVERIAM APROVEITAR A OPORTUNIDADE E LEVAREM ESSES JOVENS PARA AS CASAS DE TRATAMENTO E NÃO PARA A PRISÃO...OS BANDIDOS, ASSASSINOS, ESTUPRADORES ANDAM LIVRES PELAS RUAS E AS VÍTIMAS DO TRÁFICO SÃO ARRANCADOS DE SUAS MÃES...ALGO DEVERIA MUDAR NESSE PAÍS...BJS TRISTES...

Kika Diniz postou o comentário número:

Pois é minha amiga, eu sei bem o que é isso!
Tanto na família de minha mãe (um tio), quanto na de meu marido (cunhado e sobrinho!) passamos por essa doença horrível que é o vicio!!
O que nos resta fazer quando já se tentou de tudo, e o sofrimento parece que não acaba??!
Tenho muito medo pela minha pequena que ainda nem sabe dessas coisas, mas um dia vai estar por aí, convivendo com todo tipo de "facilidades" e "prazeres rápidos" encontrados em qualquer esquina! O que fazer pra que um filho não se desvirtue no caminho do amadurecimento??!!!
Sinto muito mesmo por essa família!
Bjks

Turquezza postou o comentário número:

Difícil, muito difícil ........ viver é difícil.
Temos todo o cuidado, mas às vezes tropeçamos em algo que nem sabemos o que, como e porque ....
Qual a saída? Muitas respostas, mas nenhuma ainda para solucionar tão grave problema.
Resta gritar para o mundo, um grito de alerta!
Será que alguém vai ouvir e nos atender?
Esperamos que sim, sempre esperamos, e quem sabe um dia a gente consegue.
A luta continua, esmorecer nunca !!!!!!!!!
Paz e luz para todos.
Beijos.

Adelaide Araçai postou o comentário número:

Esse assunto é muito delicado, mas uma coisa que deve ser conversada nas casas com naturalidade, não apenas em momentos de instruir os filhos. Sigo um caminho inverso ao que os Estudiosos colocam. Acredito que sempre é responsabilidade de quem aceita, saber que perde o dominio de seus atos - que droga dá uma sensação legal por isso a pessoa repete o uso e se vicia. Se fosse ruim não existiriam viciados.

E só existe traficante, porque existe quem consome, uma roda viva. Quer ser dono da Sua vida - não usa drogas. Mas concordo com vc as pessoas ao redor poderia dar um alerta, mas as vezes a própria familia não quer ver. Já vi muitas familia maravilhosas que embora fossem alertadas preferiam ignorar os alertas e só acordaram quando era tarde demais.

Espero que no caso de sua amiga ainda exista tempo para uma recuperação. Precisamos entender que vicio é uma doença que não tem cura, existe o controle - eterno. Não basta fazer tratamento em clinicas e mudar de cidade. Precisa de apoio profissional constante.

A nós resta apenas esclarecer nossos filhos, e despertar neles a vontade de serem senhores de seus destinos - para que não entreguem as drogas as rédeas de suas vidas.

Muita Luz e Paz
Abraços

Mônica postou o comentário número:

Renata
Acho que sempre tem em alguma familia um conhecido que já passou por isto.
Eu fico imaginando o sofrimento da mae.
Eu tenho um primo que acabou com sua vida por problema de bebida.
Nao sei o que será dele no futuro. só Deus pra entrar pros meios.
Gostaria que entrasse no meiu blog . coloquei as pedras do meu avo pra voce ver!
com carinho e amizade
Como disse uma blogueira Vamos que vamos!
Com uma crnça e muitas oraçoes!

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,

É claro que o assunto foge completamente ao seu modo alegre e leve de escrever...mas,infelizmente,a vida tem momentos tristes e dramas que não podemos ignorar e o que pudermos fazer mesmo que seja somente por palavras de apoio a esta mãe e a tantas outras nesta mesma situação,já é válido.Vamos nos unir e rezar por eles.Somente Deus poderá trazer uma solução para esta família.
Há pouco tempo perdi um primo muito querido que,após um transplante,não conseguiu aguentar ver o filho,viciado,cada dia se afundando mais...seu organismo,fragilizado,não resistiu.
Tudo isto é muito triste.
Bjssssss,
Leninha

Maria Teresa postou o comentário número:

Oi Renata, para isso só mesmo uma resposta: DEUS
Quando estive internada, meus filhos na adolescência - praia - conclusão: drogas.
Eu sentia algo errado, conversava com a psicóloga, ela com eles e nada.
Na minha entrega a Deus eu os oferecia que êle levasse meus filhos como padre ou se se Deus permitisse que constituissem família - para pastores.
Deus em sua infinita misericórdia colocou pessoas certas que os levaram para a Igreja Evangélica.
No início foi difícil para mim, mas hoje meus filhos têm sempre a palavra para acalmar meu coração. Sou católica, mas agradeço e louvo a Deus a todo momento.
Pelo que sinto você é uma pessoa muito abençoada, quem sabe possa se aproximar e convidar para ouvir a palavra.
Vou oferecer ao Senhor, em minhas preces, a vida dele e da família. Deus tudo pode, abraços carinhosos

Elca Bastos postou o comentário número:

Temos todos que ajudar, um ao outro para que nossa vida seja equilibrada, e com muito apoio e conversa, ele vai se tocar e voltar a vida normal que lhe pertence e que ele com certeza vai querer partilhar com a sua família. Que Deus ponha a mºao em cima desse jovem e guie o seu caminhos para novos rumos. Beijos Renata!

Ro Archela postou o comentário número:

Renata, no próximo sábado à tarde, teremos uma reunião na casa de uma amiga para comemorarmos o dia da mulher. Nesse encontro, vou propor que apresentemos em oração, esse menino ao Senhor Jesus Cristo,para que cuide dele e de sua família. O tema será; Lar doce Lar. Vamos orar, Deus é poderoso!!!
beijos

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