Feromônios e Domingo pede cachimbo...

Pois é, não corro atrás de histórias. Na verdade acho que as mesmas me perseguem.
Um tremendo domingo, compromisso assumido fora daqui, que me tomaria o dia todo. Sabia que seria um dia super puxado e já estava me preparando para descansar antes que a coisa toda começasse.
Tomo um ônibus para enfrentar um percurso de mais ou menos uma hora e meia de viagem. Passagens compradas com antecedência para ida e volta. Sento-me na poltrona 12 que fica no corredor. Ao meu lado ninguém (poucas pessoas inventam compromissos domingo...), mas não costumo viajar na janela, ao contrário da preferência de muitos. Coisa que vem lá da adolescência, seguindo conselhos de mãe para uma jovem que sempre viajou muito sozinha. A jovem se foi e a pessoa aqui de meia idade, continuou com o hábito enraizado na rotina de vida.
Do lado oposto de onde eu estava, uma jovem aparentando no máximo uns vinte anos, logo no início da viagem, abre um pacote daqueles biscoitos que parecem feitos de isopor e que tem um cheiro de alguma coisa, misturado com sei lá o quê. Embora fosse manhãzinha o cheiro não me incomodou muito. Acho que amanheci com estômago forte.
A "companheira" de viagem estava na dela saboreando o seu "manjar dos deuses" e eu resolvi tirar um cochilo para viagem passar mais rápido. Estava de olhos fechados e escuto alguém perguntando: "Posso me sentar aqui?”. A coisa não parecia ser comigo (e não era graças a Deus), mas abri os olhos para ver o que estava se passando. A pergunta foi feita pelo fiscal (acho que com seus trinta e poucos anos) da linha do ônibus, para a tal jovem. Daí ele sentou-se ao lado dela e o papo entre os dois começa. Ele passando aquelas cantadas mais bobas que qualquer homem babando por uma mulher começa a fazer. Para ser sincera, não sei de onde os homens conseguem essa capacidade de falar tanta bobagem.
Eu que havia voltado a fechar os meus olhos, não consegui tirar o tal cochilo. A conversa entre os dois seguia e eu ficava na dúvida se estava sonhando ou aquilo era real. Eram tantas baboseiras (nem adianta que não vou contar aqui, pois meu blog é família... liberado para a leitura de menores).
Descubro com o desenrolar da novelinha que a jovem trabalha a noite na recepção de um motel (que ela insiste em chamar de hotel) aqui na cidade. Eu nem sabia da existência dele e agora já sei a descrição de todos os seus serviços, instalações e tarifas além de sua localização. Ah, já ia me esquecendo de que caso eu resolva convidar o marido para irmos lá, os brindes que receberemos também não serão mais surpresa.
Quem viaja de ônibus, não precisa assistir Big Brother Brasil, vive-o ao vivo e a cores. As pessoas tem uma capacidade de esquecer o mundo a sua volta e vivem momentos de insanidade pública, expondo a vida sem nenhuma reserva. Já sei o nome da jovem, posso até procurar o chefe dela e pedir que lhe dê um bom aumento salarial, pois fez uma propaganda maravilhosa do tal lugar. No caso do fiscal, não posso procurar pelo patrão dele, pois pelo jeito, se contar o fato, ele perderá o emprego.
No meio da viagem, os dois se despedem (não consegui descobrir se o papo continuará em outras viagens). O fiscal desce do ônibus e ela volta a comer o tal biscoito.
Minha cabeça começou a funcionar e cheguei à conclusão que o fiscal foi atraído até ali, por causa do cheiro do biscoito. Esse troço deve ter algum feromônio humano (desculpem-me, mas o pensamento é por força da profissão), em sua composição química.
Cheguei ao meu destino, cumpri minha agenda. Início da noite retorno para casa, dessa vez com a filha sentada ao meu lado. No meio do caminho ela abre a janela e eu comento que aquele cheirinho de mato me lembra do Morro do Bonfim (que povoou acontecimentos felizes de minha infância), acrescento ainda que também me faz lembrar uma casa em que minha cunhada morou que era perto de uma mata como aquela. Minha filha completa soltando essa: “Tem o cheirinho do dia da morte de Ayrton Senna" (ela estava na casa da minha cunhada no dia em que o Ayrton sofreu aquele acidente fatídico)...  Com essa, eu resolvi dormir, pois afinal de contas isso era o  meu "domingo pede cachimbo".

                                          "Hoje é domingo
                                           Pede cachimbo

                                           o cachimbo é de barro
                                           Bate no jarro
                                           o jarro é fino
                                           Bate no sino

                                           O sino é de ouro
                                           Bate no Touro
                                           é valente
                                           Bate na gente

                                           A gente é fraco
                                           Cai no buraco
                                           O buraco é fundo
                                           Acabou-se o mundo"



12 comentários:

✿ chica postou o comentário número:

rsss...Muito legal e as coisas acontecem mesmo. Cada uma!! As coisas que ouvimos daria pra escrever um livro...

beijos,linda semana, tô acabando de chegar de uma outra cidade.Vim de trensurb e o cheirinho que tinha lá, com o calor daqui, não era naaaaaaaaaaaaaada convidativo,srsr beijos,chica

Turquezza postou o comentário número:

Muito boa essa, acontece tantas vezes ........
Vejo gente contando a vida toda para pessoas que nunca viram. Depois reclamam que foram assaltadas, molestadas ..... Aff! Ô vida!
Realmente o Domingo pede cachimbo ...... e não deixe cair da boca na hora da soneca rsrsr
Beijos.

Mônica postou o comentário número:

Renata
Eu já andei muito de onibus, principalmente quando mame teve hospitalizada por 80 dias e eu vinha todo fim de semana pois trabalhava.
Sabe o que eu fazia?
Tirava o terço e dormia rezando.
Ninguem sentava perto de mim.
Mas as conversas paralelas eram muitas,
As vezes dava pra rir outras vezes não.
Acho que é costume nos onibus conversar alto no telefone celular então.

com carinho Monica

CamomilaRosaeAlecrim postou o comentário número:

Gente que história...e vou te dizer que canto essa música para meus filhos sempre...adoro!
Parabéns pela vida e capricho no viver!
Beijos e uma ótima semana com bons pensamentos e alegrias!
CamomilaRosa

maristela postou o comentário número:

Acho que esse infeliz do "biscoito" deve ser aquelas porcarias de Cheetos, Fandangos e cia. Sei disso porque quando meus filhos eram menores abriam um pacote desses dentro do carro e eu brigava com eles pensando que eles tivessem soltado aquele "pum" fatídico, até que percebí que eram os tais salgadinhos.

Bjs e boa semana.

Ana Jardim postou o comentário número:

Oi Renata, tudo bem?
Foi uma adorável surpresa receber sua visitinha, amei demais!! Então..filhotinha começa as provas amanhã, tomara que tudo dê certo.

Quanto ao post, imagino que as pessoas são muito carentes hoje, infelizmente a maioria não conhecem o afeto, por isso, falam tanto de si mesmo. Também costumo ver cenas como esta e fico como você, me pergunto como as pessoas se "despem" tão rapidamente, vai entender!

Tenha uma linda semana.
bjokas

Rô... postou o comentário número:

oi Re,

detesto esses biscoitinhos,
e ainda mais agora,
sabendo dos efeitos colaterais...rsrsr
mas adorei sua narrativa,
dia desses no metrô,ouvi cada coisa,
ilegal e imoral...
como pode,né?

beijinhos
ah,adoro o cheiro de mato também...

casa de professora postou o comentário número:

LINDO E ENGRAÇADO TEXTO! SABE QUE AGORA LENDO SEU POST, ME LEMBREI DAS INFINITAS VIAGENS QUE FAÇO CONSTANTEMENTE? GENTE, DARIA PRA FAZER UM BLOG SÓ DE "PAPO ONIBUS"...RS E SE DESSE PARA FOTOGRAFAR OS TIPOS ENTÃO???? É COISA DE VIRAR PRO OUTRO LADO E DORMIR PRA VER SE A VIAGEM ENCURTA KKKKKKKKKKKKKKKKK BJS!

Neli Rodrigues postou o comentário número:

Viajar de ônibus é realmente uma viagem em todos os sentidos.
Os jovens de hj fazem questão que todos ouçam o que eles tem pra contar.
Bjs

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,

Adorei!!!Sempre te acontecem coisas insólitas...mas,comigo também,e acho que o dia em que saírmos juntas teremos que levar um gravador,pois será tudo em dobro...
E este Domingo pé de cachimbo me remeteu à minha infância,ainda em Manhumirim,quando meu avô gostava de brincar comigo e falava este versinho,que hoje tem outro nome,mas não me lembro agora(Ana Paula é que diz).
Bjssssss,
Leninha

Cristin postou o comentário número:

Estou vindo do blog da Jô....
Passeando e conhecendo o blog de vcs!!!
Bj bonita

Mônica postou o comentário número:

Renata
Tenha um belo domingo
com amizade e carinho de Monica

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