Sozinha...

Saí de casa nem me lembro direito para fazer o quê. Resolvi dar uma circulada no shopping e nele então, surgiu à decisão de ir ao cinema. Telefonei para o meu povo de casa avisando onde estaria, comprei o ingresso e fui informada na bilheteria de que a sessão começaria com um pequeno atraso. Pergunto  de quanto tempo mais ou menos. Recebo a informação de que seriam aproximadamente uns quinze minutos. Constato que teria meia hora para continuar batendo pernas.
Vou para a praça de alimentação do shopping - que odeio, pois me sinto como um objeto numa vitrine ou ainda um animal na jaula. Devido a sua localização é impossível não ser vista, estudada, analisada, registrada e tudo mais por todos os frequentadores do bendito shopping. Aquele lugar é para quem está querendo exposição. Definitivamente lá não é a minha praia, ou melhor, minha serra. O negócio é que com o tempo que tinha até o começo da sessão, não queria arriscar ir mais longe. Enquanto tomava um suco, brinquei de ser um animal na jaula assistindo o circular dos passantes que me visitavam no zôo. Eu estava vendo a hora que iam jogar amendoim em minha mesa (jaula)... Realmente eu não sei o que eu estava fazendo ali. Não tenho nada contra praças de alimentação. Não me identifico é com esta e a da feirinha de artesanato aqui da cidade. Prefiro locais mais reservados ou específicos para este fim.
A brincadeira de bicho acabou quando constatei que, mesmo com atraso, já deveria estar na hora da sessão começar. Fui para fila do cinema. Lá mofei por quase meia hora ainda. Estava quase desistindo, mas tinha um grupo de expectadores bem inflamado e querendo explicações. A explicação chegou: Uma turma de alunos de um colégio que fica bem próximo ao shopping, tinha uma sessão especial marcada naquela sala de exibição e os lindinhos chegaram com atraso. Quando foram embora, deixaram a sala em petição de miséria, tendo que ser limpa e adequada ao uso. "Belos" professores (educadores) que acompanharam esses marmanjos...
Finalmente a sala foi aberta. Escolhi uma poltrona no local de costume e constato que logo a minha frente está sentada uma amiga que não via fazia um tempão. Trabalhamos juntas e nos distanciamos quando eu me mudei para cá. Abraçamos-nos rapidamente e o filme começou.

Aqui uma observação - estamos bem na fita, pois nos reconhecemos no mesmo instante, mesmo depois de vinte e cinco anos. Os cabelos mudaram de cor, mas o resto ainda está bem legal...

No final da sessão esperei por ela que estava acompanhada de uma das filhas e do futuro genro. Comemoravam o aniversário da jovem e resolveram vir lá de Niterói para curtir o friozinho da serra. Conseguimos conversar um pouco, colocando os principais assuntos em dia, mas ela antes de despedir-se virou para mim e confessou que ficou espantadíssima de me ver sozinha no cinema. Diz-me que não consegue fazer isso de jeito nenhum. Está sempre na dependência de alguém para fazer companhia em suas andanças, quando não consegue, fica em casa mesmo. Não resisti e disse que sempre vi que ela ia trabalhar, fazer compras de mercado, ir a médicos, dentistas, cabeleleiros, manicures, buscar filhas na escola sozinha. Bater pernas, ver vitrines, caminhar por aí, cinema, teatro, cafés e coisas do gênero sozinha não pode? Como assim. Ela ficou me olhando com cara de pastel e depois de um tempo solta essa: "Acabo de descobrir que posso sair sozinha. Se você pode eu posso também. Moro em uma cidade cheinha de coisas para fazer e passo a maior parte do meu tempo em casa... Agora, pode acreditar, até para praia irei sozinha!"
Se ela cumpriu o que disse, é melhor eu não encontrar com o marido dela, pois ele deve estar achando que a culpa é minha...
Só agora minha casa está arrumada. Dependia do marceneiro para fazer algumas coisas e ele concluiu o serviço na última sexta-feira.

10 comentários:

Profª Lourdes postou o comentário número:

Oi renata! obrigada pela visita e reflexão em relação ao texto. Concordo com você. Quando jóvem adolecente me apaixonei era uam loucura!! um sentimento avaçalador e o incrivel que foi o primeiro namorado e o único da minha vida. Mas logo ao me casar já vi tudo diferente, casei 4 anos depois do namoro e nessa época já era diferente, mais tranquilo os meus sentimentos. hoje continuo com meu esposo, tivemoos altos e baixos na nossa vida a dois, ainda acredito que isso é amor, mas bem diferente do início. Como é a vida. abraços querida dorme com os anjos e tenha lindos sonhos. bjuss

Profª Lourdes postou o comentário número:

Ha! voltei falei de mim e esqueci do principal, li seu texto é uma bela crõnica. Parabéns, muito boas colocações.bjuss

Ana de Geo postou o comentário número:

Mas só vc mesmo, Guidinha! Rsrsrs
Achei o máximo a sua observação... Se ela conseguia fazer tanta coisa, por que não se divertir, não é mesmo? Gostei da observação!
Gosto de ir ao cinema sozinha, embora nunca o faça. Sempre tem uma pequena comigo. Ou três! kkkkkkk
Já está participando do sorteio lá no cantinho? Se não, se inscreve! O sorteio é dia 15!
Beijo!

✿ chica postou o comentário número:

Gudinham,como sempre me vi sentada contigo naquela jaula que também detesto. E o cimnema? Que barbaridade esperar tanto e ainda por cima ver o motivo idiota! Se as crianças chegam atrasadas, não deveriam vero o filme .Punto e basta! Mas não por elas ,mal orientadas, atrasarem tudo.Isso pra mim é desrespeito!

Bem, mas valeu pela amiga que encontraste lá. Por terem se reconhecido e ainda pelos sábios conselhos que ela pegou de ti. Adorei! beijos,tuuuudo de bom,chica

Leninha postou o comentário número:

Renata querida,

Boa tarde!

Também gosto de andar sozinha, sem lenço e com documentos, mas sentar na praça de alimentação também não é o meu forte...mas vou, às vezes comer uma massa do Spolleto, que adoro.Ir ao cinema só...nunca pensei em fazer e gostei da idéia, vou fazer de vez em quando...só que gosto tanto de comentar o filme depois, que vou ficar frustrada.
Quanto à sua amiga, bom vcs terem se reconhecido, pois eu, cada vez que vou á Muriaé, passo o maior aperto quando pessoas me cumprimentam e não tenho a menor idéia de quem sejam.
O conselho foi bom, mas se este marido for do tipo de alguns que conheço, vai causar uma revolução...

Foi bom saber que a casa, finalmente, está pronta.É um alívio, né?

Bjsssssss,
Leninha

Kika Diniz postou o comentário número:

Oi Renata, tenho uma cunhada que tbm não consegue sair sozinha, ela diz que parece que estão todos olhando pra ela, aí ela perde até o passo!rsrsr
Eu na verdade gosto muito de fazer compras sozinha (o problema é que eu demoro muuuito) e se eu tiver um tempinho só meu, procuro ficar em casa, adoro!!
E tenho que dizer...que memoria boa hem?!!!!
Bjks e boa semana

Cristina Gonzaga postou o comentário número:

Olá Renata,
Concordo com vc a respeito da praça de alimentação do Shopping e da feirinha também não gosto de ficar sozinha neles, mais acompanhada fica melhor.
Me acho bem parecida com sua amiga, também não gosto muito de sair sozinha, de uns tempos pra cá tenho ficado em casa, não tenho mais vontade de bater pernas, coisa estranha, mais adoro ficar em casa.
Um grande beijo, Deus te abençoe.

Lucia Costa Siqueira postou o comentário número:

Oi
Querida
Amei seu texto
Me encontrei nele,sempre dependente carente,não saio mais sozinha,eu que sempre gostei de bater pernas por ai,até viajar sozinha
Acho que estou velha sera...................
Não vou recomeçar a fazer isto de novo
Bom ja estou pra ir a Belém do Pará,vou só e Deus portanto bem acompanhada
Amei sua vst sepre gentil e carinhosa
Abraço carinhoso
Bjosssss

Biula postou o comentário número:

Oi, Renata!
Concordo, e sabe que tb levei milênios para aprender que tenho direito de sair sem escolta?
Da mesma forma, quem diz que mulher não pode gerir uma grande empresa, por exemplo, precisa lembrar de que quase todas nós administramos nossas casas, o que não é pouco nem fácil, né?
Bom feriado, bj,

Lúcia Bezerra de Paiva postou o comentário número:

Estava com saudades de suas criativas crônicas do dia-a-dia: como sempre, gostosíssima!
Um forte abraço, Guidinha,
da Lúcia

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