Acampar, eu? Nem pensar...

Tentando entrar no ritmo 2013 e talvez dançando muito descompassada, ando parecendo àquelas pessoas enferrujadas... Cada vez que tento engrenar na blogosfera novamente acabo tendo uma câimbra, uma torcida no pé, uma dor na cintura, mas vamos lá... Tentando novamente!

Fui tomar um café com uma amiga de longa data no Café da Travessa (um cantinho agradável aqui da cidade) e começamos a recordar "roubadas" em que nos metemos no decorrer de nossas vidas. 
No meu caso não poderiam ficar de fora as experiências "acampamentos"... Foram duas e acredito que serão as únicas de minha história, enquanto Deus me der juízo.
Definitivamente acampar não é minha praia, tão pouco a minha serra. Tendo em vista que a primeira experiência foi em uma praia e a segunda na serra. Em ambas as situações, a coisa foi absolutamente odiada.
Assumo que sou fresca demais se isso significar sacrifício e desconforto sem necessidade. Não tenho prazer algum em me submeter a sacrifícios... fora de gostar de viver "no limite".
Em caso de necessidade posso me adequar a muitas situações, mas por puro prazer da aventura? Ah, isso não faz minha cabeça. Não sou preguiçosa, apenas falta em mim a necessidade de provar a qualquer pessoa que "eu tenho a força" ( não sou He-Man ).
Ainda adolescente acampei com um grande grupo em uma praia. Foram dias terríveis. A turma se divertia e eu tentava ser sociável disfarçando o meu sofrimento... Não era um local com estrutura para camping. Do grupo, naquela época, novatas na coisa só umas duas ou três pessoas. O local ficava uns 2 km e mais alguma coisa da pseudo-civilização, onde havia um barzinho com um banheiro fétido disputadíssimo por uma fila enorme de pessoas. Não me venham dizer que é normal usar mato como banheiro ou o mar (ainda por cima revolto), só tomar banho de água salgada, dormir em barraca, viver sentada no chão. Se adolescente gosta disso, admito - pulei a adolescência e não me fez falta. Só de lembrar me dá arrepios. Pode ser que um dia ainda tenha que fazer terapia para me livrar desse trauma. Nesta mesma praia, um grupo "menos preparado" que o nosso, cozinhava macarrão com água do mar. Mesmo cercada de gente, passei dias terríveis me sentindo Robinson Crusoe (só me lembrava dele o tempo todo). No banheiro (mato) tinha calango pra todo lado, passei a ter horror a esse animal...
O tempo passou, me casei, tive minhas filhas. Vivíamos na santa paz de Deus quando fui convidada por uma "grande amiga" para um encontro religioso maravilhoso. Já fazia um tempo que não participava de eventos assim por causa das crianças. Seriam cinco dias de estudo, aprofundamento e etc. Pensei muito, pois ficaria longe do marido e das meninas que ainda eram muito pequenas por quase uma semana. Pensei, pensei, pensei... Cheguei à conclusão que poderia voltar de lá abastecida de graça e oferecer isso a eles em nosso cotidiano. O marido nunca deu muita força (sempre teve mais juízo), mas não se opunha de jeito nenhum. Acompanhou-me para o embarque e lá fui eu...
Gente, o que foi aquilo? Cinco dias de solidão e sacrifício. Cercada de muitas pessoas e absolutamente só. O negócio foi tão brabo que eu conversava com Deus explicando pra Ele que aquela gente só podia estar maluca, achando que se encontra a paz interior daquele jeito. Para começar que eu não tinha perdido nada, então procurar o quê? Vivo e sempre vivi a minha fé de forma serena e com convicção. Tenho a minha opção religiosa e não sou fanática. Sou católica e assim me sinto feliz e completa, porém não vivo tentando converter ninguém. Acho esse termo inadequado para ser usado na fé. Religião não é moeda, temperatura... Isso é que normalmente precisa de conversão. Cada um é o que o coração pede e pronto. Fé é entrega. Simples assim.
Bom, voltando ao que interessa... O alojamento era em barracas que no primeiro dia, antes mesmo de serem estreadas, foram totalmente arrasadas por um temporal surreal. Vivi a experiência do caos. Nossos pertences que já estavam acomodados dentro delas dançavam na enxurrada. Minhas coisas só não foram totalmente encharcadas por ser naquela época a rainha do saquinho plástico. Tudo que levei estava hermeticamente embalado e pude inclusive dividir algumas peças de roupas com companheiras que precisaram lavar seus pertences. Aquele lugar no meio do nada... Era impossível voltar pra casa (o que desejei desde o primeiro momento). Tive vontade muitas vezes de chorar e gritar "MANHÊÊÊ!" Naquela noite, cada um pegou o seu colchão, que na verdade poderia ser chamado de "ouchão", pois era apenas uma opção de "era isso ou chão", de tão fino. Dormimos divididos em duas salas (homens/mulheres) que mal eram suficientes para acomodar os grupos sentados, que dirá deitados. Impossível se não tivesse sido feita uma espécie de montagem de peças humanas como em um quebra cabeças. No dia seguinte, muito, muito trabalho. Limpeza e secagem das barracas, arrumar tudo novamente... Exaustão total. No final do 5º dia, minhas roupas super folgadas pareciam ter outro dono. Estava cinco quilos mais magra. Renata que sempre foi um ser magro transformou-se em Olivia Palito. Até hoje fico a refletir se esse era o peso do pecado que carregava comigo e deixei lá. Se for, devo ter voltado a pecar, pois mesmo tendo demorado bastante a me refazer da experiência, os quilos foram lentamente recuperados.
Encontros religiosos? Sim continuo participando e muito. Sempre que Deus permitir estarei sozinha ou com a família tentando aprender mais, aprimorar minha relação com o Pai e sei que Ele não foi o responsável por tanto desconforto e sacrifício...
Depois disso tudo, acampar? Podem me chamar para pular amarelinha, soltar pipa, jogar três marias, rodar bambolê... Mas para acampar, nem de brincadeira.



12 comentários:

Adriana postou o comentário número:

GUIDINHA, MORRI DE RIR DE SUA EXPERIÊNCIA EM ACAMPAR... QDO EU ERA JOVENZINHA, ME METI NUMA DESSAS... VALEU PRA NUNCA MAIS EU INVENTAR DE ACAMPAR!! ADOOORO MINHA CAMINHA!!!
ATÉ PULO AMARELINHA!!! MAS ACAMPAR... JAMAISSSSS

BJINHOSSSSSSSS

Adelaide Araçai postou o comentário número:

Menina eu NUNCA acampei e sempre falo para todos:
- Não sou fresca eu acampo em qualquer hotel 5 estrela.
Que vamos falar sério, o simples fato de sair de casa, das tuas coisas do teu espaço já abala o psicológico então precisamos de conforto para suportar...rsrs E olha o teu relato só reforça minha certeza.

Abraços

Lourdinha Vilela postou o comentário número:

Hilário Renata, gostei muito e pude dar muitas risadas. Eu gosto muito de curtir a natureza, adoro estar em contacto com ela, mas de uma forma que possa voltar no mesmo dia ao meu conforto habitual, nada de dormir em barraca, acho que sufocaria.
bjs.

Rô... postou o comentário número:

oi Re,

pois é quando era jovem cai nessa armadilha também,
acampar em Campos do Jordão no frio gelado de julho...
quase morri como boneco de neve,
a comida?
feijão com molho de pimenta para esquentar,
o banheiro?
lavar até o teto com vassoura e muito desinfetante antes de usar,
tomar banho de chinelo, short e camiseta,
andar quilometros para tomar um chocolate quente...
tudo em nome de aventura,e quem disse que gosto disso?
nem sei onde estava com a cabeça,
bom ficou na história,para que nunca mais se repita...

beijinhos

✿ chica postou o comentário número:

Rss...Também não me convidem pra acampar. Nunca fui disso. Gosto de ter um banheiro, uma caminha limpinha e com paredes ao lados,rs beijos,chica

Helena Compagno postou o comentário número:

Renata, pois eu adorava acampar quando solteira! Acampei em muitos lugares lindos, tinha conforto na barraca, escolhíamos lugares limpos, próximos às cachoeiras, dos campos floridos...
Não sei se hoje teria a mesma visão, mas meu marido e filhas são contra, "nem pensar, tô fora" e eu fico só com as lembranças...
Beijos

Jô Turquezza postou o comentário número:

Caramba rsrsrsr pelo visto até agora só eu gostei de acampar rsrsr
Muitas e muitas vezes. Com barriga de 7 meses acampada na praia e escovando os dentes na água do mar (limpíssima e salgada). Depois com filho pequeno, com filho já grandinho..... vários lugares desse Brasil. A maioria era camping com banheiros limpos, local com pias para lavar as louças (minha barraca tinha cozinha e varanda), ou ia comer na lanchonete do camping, quando dava preguiça de fazer. Mas sempe foi muito divertido, na praia ou na serra.
Mas agora, aposentada, só quero acampar em avião, hotel com tudo que preciso ou casa de veraneio rsrsrsr
Tenha uma linda semana.
Beijos.

Lucia Costa Siqueira postou o comentário número:

Oi
Querida

Que alegria senti quando vi vc por aqui,amei!!!

Acampar é complicado mesmo,ja acampei várias vzs,pra contentar filhos e marido,mas não era a minha praia não................

Querida amei sua vst carinhosa,obrigado venha sempre que puder,vou amar sempre!!!!!
Bjossss

Renata Furlan postou o comentário número:

kkkkkk macarrão com água no mar?! credu! até eu ficaria traumatizada com essas suas experiencias! hehehe eu até que gosto, mas preciso ter confortos... beijos

ELAINE postou o comentário número:

Querida amiga! Quanto tempo!... Como estás? Parabéns pelo post! Adorei!Perdão pela ausência.... Estive afastada do blog por motivos/problemas pessoais e estou retornando esta semana....
Uma abençoada semana!
Abraço carinhoso!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

Minha vida de campo postou o comentário número:

Que pena que tivesse uma experiencia ruim. Mas isso passa e virão novas oportunidades felizes.
Bjos e tenha um ótimo fim de semana.

Valéria Guerra postou o comentário número:

Vc ainda foi muito corajosa. Eu nunca tentei acampar, pq sempre tive certeza de que está não é a minha praia. Sempre fui muito fresca e gosto de conforto.
Vc provou o macarrão? rs

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