Malas leves...

Planejei estar muito presente aqui... Aí percebo que estar na internet sem internet não dá... Digitar com tendinite não dá... Viajar nos mundos real e virtual ao mesmo tempo não dá... Conclusão, dois novos meses de ausência...

E por falar em viajar...
Já houve tempo em que eu dizia que viajar para qualquer lugar é bom. Hoje quando falo isso é mais da boca para fora. O tempo foi me fazendo muito seletiva. Não é luxo que me seduz, não é lugar famoso e naturalmente turístico ou ainda aquele tipo de turismo rotulado por alguma característica específica. O que quero mesmo é poder ir e vir em qualquer dia, hora e lugar. Sem pressa.

Malas não podem significar impedimento. Malas tem que libertar. Não tem que ser carregadas, elas tem que nos levar...
Aconteceu uma situação muito engraçada em nossa viagem mais recente. Quatro casais circulando por várias cidades em um clima divertido e leve. Os outros três casais faziam compras de tudo que viam. Era um tal de comprar bugiganga sem fim. Meu marido e eu não comprávamos nada... A única compra até aí tinha sido um chapéu para ele que procurávamos fazia tempo e vimos um que era exatamente o que queríamos. Os dias foram passando e a coisa se repetindo. A cada saída nossa dos hotéis, a volta era de sacolas e mais sacolas ocupando as mãos dos três casais e nós dois de mãos ocupadas apenas um com a mão do outro. Nós dois riamos muito da situação. Um belo dia um dos homens deste nosso grupo chamou o meu marido para conversar em particular e todo cheio de dedos ofereceu dinheiro para ele, dizendo que poderia emprestar o que estivéssemos precisando. Meu marido estranhou o oferecimento, agradeceu e disse que estava tudo bem, não havia necessidade alguma. O cara achou que não comprávamos nada por falta de dinheiro. Achou que era impossível a uma mulher não voltar para casa após uma viagem longa, com a mala mais leve que quando saiu (mais "leve”, pois shampoos, cremes, repelentes... foram sendo usados). Não sei o que é que houve após as explicações sobre a nossa não necessidade de compras, só sei que no geral elas diminuíram...

A cada ano que passa sinto menos necessidade de tralhas... Antes desta nossa viagem fiz uma arrumação aqui que lotamos o carro duas vezes de doações, fora o que foi doado sem precisarmos ir entregar. Isso me satisfez? Não. Desejo ainda fazer um novo pente fino em casa cômodo, em cada armário e gavetas. Quero ar fluindo, quero vida sem peso, quero a liberdade de não comprar. Liberdade sim, pois consumismo aprisiona.

Ter o que precisamos tem um significado muito diferente de "precisamos ter". Para muitos que não entendem, malas leves são conquistas e na vida podem demorar a acontecer...



10 comentários:

Roselia Bezerra postou o comentário número:

Boa Tarde, querida Renata!
Que post m ais lindo!
Estou fazendo uma faxina espiritual em minha casa... não digo que foi totalmente por livre e espontânea vontade mas porque aconteceu um fato e daí, desencadeou uma mudança radical em minha casa... foi magnífico!
Todo dia acho uma coisinha que não me pertence mais e faz falta na casa do irmão... Todo supérfluo nosso é do outro...
Me sinto muito mais leve e ainda me falta revisar o mínimo que será máximo, tenho certeza, ao acordar mais leve...
Bjm muito fraterno e pascal

casa de professora postou o comentário número:

Como sempre, arrasou no texto amiga! Também estou melhorando com o passar dos anos e eu mesma estou me tornando uma mala mais leve...rs, bjs!

✿ chica postou o comentário número:

Te entendo e concordo plenamente!Também não sou essas que precisam comprar tudo que veem! E vivemos bem assim, com o que temos, de vez em quando uma coisinha nova ,desde que útil! E viajar é bom! bjsl, chica

Maria Teresa Valente postou o comentário número:

Olá, Renata!
Excelente mensagem, ando limpando, arrumando e doando aquilo que alguém possa utilizar. Já não compro mais nada há muitos anos e me sinto muito bem assim.
Feliz por ter notícias tuas, abraços carinhosos
Maria Teresa

Jane postou o comentário número:

Adoro ler você. Porque me identifico, me sinto madura e feliz. Esse é o nosso caminho.
Que bom ter te descoberto. Suas anotações poderiam ser assinadas por mim.
Muito bom ter amiga virtual contemporânea.
Grande abraço

Jô Turquezza postou o comentário número:

Oi minha querida amiga Renata!
Que bom que voltou, adoro suas histórias!
Sabe, quando eu trabalhava fora comprava muito, principalmente roupas não tão baratas. E com filho pequeno também. O tempo passa ....
Aposentei. E depois disso minha meta sempre foi passear, viajar (quando a grana dá). De um tempo para cá também faço limpeza na casa e na alma. Passo para frente tudo que não preciso, que não me interessa mais. Só fico com o necessário para ser feliz. Pouco, diga-se de passagem.
Minhas malas vão mais cheias quando visito filho, nora e neta no Exterior. São mimos para eles ou o que precisam daqui que não tem lá.
E volto com a mala mais vazia, compro o mínimo necessário e trago presentinhos/lembrancinhas dos amigos de lá.
Não compro nada aqui no Brasil, tem muito tempo.
Não preciso de tralhas para meu viver feliz.
E Husband também pensa assim.
E vamos vivendo felizes ....... com pouca coisa.
Nosso relacionamento um com o outro nos basta.
Tenha uma linda semana!
Não suma daqui, volte sempre.
joturquezzamundial
Beijos linda!

Zizi Santos postou o comentário número:

Post delicioso e verdadeiro!
aprendi a não ser muito consumista, então me identifiquei com vocês na viagem.
Mas , marido gosta de comprar souvenir nas viagens! e como gosta
Depois sai presenteando, mas acho que podia utilizar o valor gasto em uma unica coisa representativa da viagem.
Mudamos de apartamento. Conseguimos nos desapegar de muita coisa, mas ainda falta. Tb vejo que com o tempo, nem precisamos de tudo, só um básico. Nesse quesito ele é mais desapegado que eu. Continuo apegada as minhas roupas velhas. Mas tenho até julho pra me definir. Então vou fazer como você: um novo pente fino em cada cômodo.

bjs

Tetê postou o comentário número:

Oi Renata! Normalmente eu viajo em excursão e observo muito isso. Como as pessoas compram! E não é possível que tudo aquilo tenha utilidade... Dessa vez, o que comprou-se de roupas de lã para inverno rigoroso, assustou! Aqui em Araruama, no inverno um moleton é mais que suficiente! Eu até me arrependi de não ter comprado uma tal de "calça térmica", só retornando é que me lembrei que em julho vou à São Lourenço e lá devo pegar dias frios... Você é uma mulher "da serra", acostumada e apreciadora do friozinho... aqui, com a chapa sempre quente, o frio assusta! rs rs rs Três dias são o suficiente para curtir! Bjks e bom feriadão! Tetê

Maria Cândida postou o comentário número:

Oi Renata, tudo bem ?
Fico feliz que você voltou a escrever estas mensagens tão interessantes e significativas.
Penso que a maioria das pessoas passa por esse momento de desapego. Para sermos felizes não precisamos nos soterrarmos de coisas que, na maioria das vezes, não são necessárias.
Assim como você e tantas outras pessoas passei por este momento e confesso que estou muito feliz.
Desejo que você seja muito mais feliz do que já está. Estarei sempre te esperando.

Beijos.

✿ chica postou o comentário número:

Renata, adorei te ver lá e realmente um chazinho faz bem.Que bom conseguiste dormir depois! Lindo dia! bjs, chica

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